Texto do Zezinho Luciano - Concurso ECA
...nós até rimos juntos... - Luciano
Diadema, São Paulo, 26 de março de 1992. Aqui começa a minha história.
Deixaram-me na casa de minha avó. Com minha mãe fiquei durante três anos na rua. Poucas lembranças: ela e “amigos” usando drogas embaixo de pontes, álcool, roubo. Não percebia bem o que estava se passando.
Minha irmã, ainda na barriga de minha mãe. Durante um ano e meio foi minha melhor companheira, quando aconteceu o inesperado para mim. Não imaginava estar perto de nunca mais ver seus olhos brilhantes e aquele sorriso alegre. Um carro branco a levou. Tentei tirá-la da mão de minha mãe, mas já era tarde. Consegui correr até um posto de gasolina próximo a praça onde estávamos, e me escondi.
Oito anos se passaram...
Morando na rua, com minha mãe, meus tios e mais um grupo de pessoas, invadimos uma casa próxima ao Hospital das Clínicas até que no ano de 2001os proprietários pediram a casa. Para sairmos de lá ofereceram ao nosso grupo R$ 530,00. Alguns gastaram o dinheiro com drogas, mas meus tios alugaram uma casa na região de M’boi Mirim, perto do Jardim Ângela, onde eu me abrigo, onde vivo com meus tios até hoje.
Minha mãe não foi conosco.
Com meus tios, para ajudar nas despesas da casa, eu ia vender bala no farol.
E aqui começa uma nova história para mim.
Começo de 2008. Eu estava sentado perto de um restaurante almoçando, quando duas pessoas se aproximaram - um homem e uma mulher - perguntando onde estavam meus responsáveis. Naquele momento pensei que fossem do SOS Criança, os mesmos que pegaram minha irmã. Levei-os até minha tia (minha mãe continuava morando na rua) e fizeram a ela as seguintes perguntas:
Os seus filhos estudam? Onde você mora? Você quer fazer um trato conosco?
Na hora minha tia respondeu: Quero, sim.
E o homem explicou:
Nós te damos uma bolsa de R$ 350,00 por mês, mas você não vem mais para a rua com seu filho e coloca-o na escola.
Minha tia aceitou.
Depois de três meses voltaram, fizeram o Cartão Família e perguntaram se eu queria entrar para uma ONG.
Logo pensei: ONG é coisa de SOS Criança, coisa de menino drogado...
Depois do primeiro dia na ONG Casa do Zezinho, já comecei a perceber que estava enganado. Não era o que eu estava pensando. Logo comecei a desenvolver os meus conhecimentos.
Quando eu estava na rua não sabia ler, escrever nem mexer em um computador. Agora, quem diria, um garoto de rua, sem estudo, sem qualificação, fazendo sites em computadores, tirando notas altas na escola.
Eu como um Zezinho, me sinto um rei.
COMENTE
1. fernanda vital
Sábado, 12 de Setembro de 2009 - 12:55Eu numca sabia da vida do meu amigo Luciano a vida dela que passo é muito triste mais ele é um rei mesmo a vida que ele tinha nao era facil eu quero que ele seja muito feliz por que eu tambem nao tenho uma vida facil nao o meu pai ele e bebe muito eu tambem sofri muito e hoje esta bem melhor a minha vida. Luciano eu quero que vc seja muito feliz a sua vida nao foi facil nao e a casa do zezinho nao só ajudo voce com eu tambem se nao fose a casa do zezinho eu estava tambem na rua porque eu ja pensei em fugir de saca por calsa disso e a casa do zezinho me deu muitos conselhos e hoje eu eu esto aqui feliz e fazendo o que eu mais gosto que é jogar basquete.
Nome: Dagmar Rivieri GarrouxEducadora Dagmar Rivieri Garroux, presidente da Casa do Zezinho














