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IMPUNIDADE NÃO!!!!!!!
Postado dia 10/11/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 12:14 Nenhum comentárioO tempo passa, mas a lembrança persiste.Mais uma vítima da idiotice do sistema, Alberto poderia estar aí conosco, formando mais Zezinhos, encaminando e dando exemplo.Isto ninguém ressarce, e ninguém deve jamais esquecer.À família de Alberto, nossa solidariedade e a certeza de que não passará desapercebido mais esta descabimento. Dividimos com vocês esta dor e esta indignação.Simão & Família
Categoria: Reflexões -
1 ANO DE IMPUNIDADE!!!
Postado dia 10/11/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 12:11 Nenhum comentário1 ano de impunidadeDia 10 de novembro (3ª feira) faz um ano da morte do ex Zezinho Alberto Milfont Jr., assassinado por um segurança nas dependências da loja Casas Bahia da Estrada de Itapecerica, no Campo Limpo.
Nesta mesma data em 2008, Alberto, com 23 anos, foi comprar um colchão com a esposa Darilene e mais um amigo e, enquanto aguardava o pagamento das compras, o segurança Gilberto Silva Souza, de 29 anos, o abordou e o expulsou da loja. Houve uma discussão entre os dois, e o segurança acabou sacando a arma e atirando em Alberto.
Alberto morava no bairro Jardim Antonieta, em no Campo de Fora. Foi aluno da Casa do Zezinho entre 1995 e 2004. Quando criança gostava de fazer atividades como capoeira, esportes, arte educação e papel reciclado. Ao longo do tempo ele foi se interessando por outros projetos como informática, silkscreen e padaria. Lá ainda, tornou-se voluntário do projeto Fim de Semana com Arte, e ao invés de receber seu salário, preferiu doá-lo para a Casa como forma de gratidão. Em 2005, a ONG o encaminhou para o mercado de trabalho, onde atuou nas empresas Promon e na produtora de cinema O2. Alberto saiu da produtora para trabalhar com o tio numa pequena metalúrgica.
Este é o retrato de mais um crime na periferia da cidade que segue impune, sendo que até hoje, um ano após o acontecido, o assassino continua gozando de sua liberdade.
Categoria: Reflexões -
Reconstruindo a Ponte
Postado dia 1/11/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 15:34 Nenhum comentárioAs pontes sempre serviram como um meio de passagem entre um lugar, uma comunidade a outra.
Elas também podem servir como o caminho entre duas culturas, duas pessoas, um aluno e um professor, por exemplo.
Não podemos deixar nenhuma dessas caírem, como estamos deixando cada dia mais.
O que vejo, hoje em dia, é a grande necessidade de reconstrução das pontes, para que não se criem abismos de conhecimento, afeto, preconceito, ódio...
Enfim, não somos raça humana, somos uma grande família descendente de um mesmo DNA de milênios atrás, lá da África...
A idéia de raça deve ser usada para se definir a classe dos animais, e não para classificar os seres humanos de forma preconceituosa e segregada...
Vamos fazer das pontes, uma via de duas mãos.
Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora -
Sobre Kichutes e Chuteiras - Sérgio Vaz
Postado dia 14/10/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 17:30 1 comentárioPessoal, segue abaixo um texto muito bonito do poeta e escritor Sérgio Vaz para lermos e pensarmos um pouco.
Em outubro é o mês em que se comemora o dia das crianças, depois do natal esse é o dia mais aguardado para qualquer menino ou menina, pois, teoricamente é um dia para receber presentes.
Pra ser sincero não tenho boas lembranças dessas datas, na minha casa a roupa sempre foi muito mais importante do que brinquedo, por isso, desde cedo aprendi a brincar só com os meus botões. Sem carrinho pra dirigir, cheguei de kichute na adolescência, e com os pés cheios de calos no coração.
Naquela época não era fácil entender que existia um dia só para as crianças, mas ao mesmo tempo, só para algumas crianças. “Quem será que ensinou aos adultos a serem tão cruéis?”. Pois somente um adulto é capaz de ensinar uma criança a ter raiva e inveja ao mesmo tempo.
Raiva porque as ruas nesses dias eram tomadas de cores e luzes da felicidade alheia, e inveja por que essas cores e luzes não brilhavam no meu quintal. De quebra também aprendi a odiar o Playcenter e o Papai Noel. Bom velhinho, sei...
No caso das meninas fico pensando que também não devia ser diferente, não deve ser fácil acalentar a boneca da vizinha e chamá-la de minha filha ao mesmo tempo. Brincar de babá aos seis anos deve doer tanto quanto ser motorista aos sete. Sorrir com a alegria emprestada... é muito sério ser criança.
Descobri que somos o país do futebol porque uma única bola, não importa de quem seja, é capaz de fazer a alegria de um bairro inteiro, e nessa hora não importa quem ganhou presente ou não. Para quem não sabe o futebol também é um esconderijo de crianças tristes e solitárias. Descalços ou não,uns chutam a bola, outros a vida.
Não estou fazendo propaganda de supermercado e nem sei se as pessoas se tornam melhores porque na infância ganharam brinquedos ou não, só quis lembrar um tempo em que o algodão não era tão doce.
Se vão presentear seus filhos, para que não se tornem poetas tristes como eu, não esqueçam, as crianças gostam que os pais venham como acessórios. Ou quem sabe, o contrário.
Nesses tempos onde as mães jogam os filhos no lixo, haverá um tempo que a gente não lembrará mais a falta dos brinquedos, e sim das crianças.
Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora -
Sarau COOPERIFA - II Mostra Cultural COOPERIFA
Postado dia 13/10/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 19:35 Nenhum comentárioSARAU DA COOPERIFA COMPLETA 8 ANOS DE ATIVIDADES POÉTICAS
NA PERIFERIA DE SÃO PAULO
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O Sarau da Cooperifa completa 8 anos de atividades poéticas na periferia de São Paulo, e para comemorar vai realizar a sua II Mostra Cultural com uma semana inteira de eventos culturais totalmente gratuitos (ver programação).
A Cooperifa é um movimento de incentivo à leitura e à criação poética, e ao longo desses anos já fez vários eventos ligados a literatura. Como o "Poesia no ar" quando os poemas são soltos em balões (bixigas), o "Ajoelhaço" quando os poetas e convidados ajoelham-se e pedem perdão para as mulheres, a "Chuva de livros" quando presenteia a comunidade com livros (neste ano foram 600), o "sarau da Cooperifa nas escolas" da região, o "Prêmio Cooperifa" para pessoas e instituições que direta, ou indiretamente ajuda a periferia a se transformar num lugar melhor para viver, o "Cinema na laje", "Saraus em praças, favelas, presídios, fundação casa, lançamentos de livros e disco de poesia e de poetas."
Nesta mostra estão programados eventos de dança, literatura, cinema, teatro, artes-plásticas e música. E a Cia. Bambalina, diretamente da Espanha.Além dos eventos também haverá debates sobre literatura (Marcelino Freire, Xico Sá, Ferréz, Sacolinha, Heloisa Buarque de Hollanda, Écio Salles, Chacal, Sérgio Vaz, Alessandro Buzo, Nelson Maca, entre vários), cinema, ativismo cultural e periferia,com a presença dos escritores da região -e de outras comunidades-, com personalidades de São Paulo e outros estados. Uma feira de livros de escritores e um grande encontro dos saraus que estão sendo realizados nas quebradas e que dão voz a esta literatura periférica que não para de crescer.
II MOSTRA CULTURAL DA COOPERIFA
(19 a 25 outubro)
PROGRAMAÇÃO:
Dia 19/10 (segunda-feira)
Abertura 16h Debate
O que a reforma da Lei Rouanet tem a ver com os movimentos culturais das periferias?Expositor: Juca Ferreira – Ministro da Cultura (a confirmar)
Professor Carlos Giannazi – Deputado Estadual/SP
Ana Tomé – diretora do Centro Cultural da Espanha em São Paulo
Coordenação: Eleilson Leite – coordenador do Programa de Cultura da ONG Ação Educativa
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19h Cerimônia de Abertura Poetas da Cooperifa
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20h Show
Izzy Gordon - cantora de MPB, soul e do bom e velho funk desfila seu vozeirão num show especial para a Cooperifa
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Local: CEU Campo Limpo
Avenida Carlos Lacerda, 678 – Campo Limpo
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Dia 20/10 (Terça-feira)
15h Dança
Apresentação teatral -Kraft – Companhia Bambalina
Companhia espanhola com prestígio internacional por valorizar o uso dos fantoches e mesclar a linguagem teatral com outras dramaturgias.
O espetáculo “Kraft” é voltado para o público infantil e recorre aos elementos lúdicos para abordar o amor pelas pessoas e coisas.
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Local: CEU Casa BlancaRua Damasceno, 85 – Vila das Belezas
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17h - DebateUm olhar para a cena periférica no Brasil
Nelson Maca (BA) – professor de literatura da UCSAL e ativista do coletivo Blackitude
Guti Fraga (RJ) – jornalista, ator, diretor artístico e fundador da ONG Nós do Morro
Alessandro Buzo (SP) – escritor e ativista cultural, organizador do Favela Toma Conta
Adriana Barbosa (SP) – empreendedora social e idealizadora da Feira Preta
Coordenação: Érica Peçanha – antropóloga e pesquisadora da produção cultural periférica
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20h - Apresentações artísticas
Balé Capão CidadãoApresentação dos alunos das oficinas de balé da ONG Capão Cidadão.
Solano em rascunhos – Cia Sansacroma
O grupo pesquisa e desenvolve trabalhos nas áreas de dança, teatro e cultura afrobrasileira.
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Local: CEU Campo Limpo
Avenida Carlos Lacerda, 678 – Campo Limpo
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Dia 21/10 (Quarta-feira) - Literatura
15h Debate Engajamento e revolta na ponta da caneta
Rodrigo Ciríaco – professor e escritor
Michel da Silva – arte-educador e escritor, fundador do Sarau Elo da Corrente
Márcio Batista – professor e poeta da Cooperifa
Elizandra Souza – escritora e redatora da Agenda Cultural da Periferia
Coordenação: Ecio Salles (RJ) – colaborador de coletivos atuantes em favelas e periferias, pesquisador e autor do livro “Poesia revoltada”
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17h Debate Literatura marginal através dos tempos
Chacal (RJ) – protagonista da literatura marginal dos anos 1970, poeta e produtor cultural
Sérgio Vaz – poeta, ativista cultural e idealizador da Cooperifa
Ferréz – escritor e ativista, editor das revistas Caros Amigos/Literatura marginal e do Selo Povo
Coordenação: Heloisa Buarque de Hollanda – coordenadora do PACC/UFRJ, ensaísta e pesquisadora da cultura brasileira
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Local: CEU Casa BlancaRua Damasceno, 85 – Vila das Belezas
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21h Sarau da Cooperifa
Edição especial do sarau da Cooperifa que completa 8 anos de atividades poéticas na periferia de SP.
Local: Bar do Zé Batidão
Rua Bartolomeu dos Santos, 797 – Chácara Santana
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Dia 22/10 (Quinta-feira) - Cinema
14h Mostra Cinema na LajeExibição de curtas e longas nacionais
Povo lindo, povo inteligente (50 min), de Sérgio Gagliard e Maurício Falcão. Documentário sobre o sarau da Cooperifa a partir do cotidiano e dos relatos de sete poetas assíduos.
Amanhã, talvez (7 min), de Rogério Pixote. Manoel e seu dia a dia. Bebida, TV, bebida, talvez amanhã. Baseado em um conto de Sérgio Vaz.
Literatura e resistência (54 min), 1daSul Filmes e Literatura Marginal Editora. Documentário sobre a trajetória literária e de militância cultural do escritor Ferréz.
Graffiti (10 min), de Lílian Santiago. A história por trás de um graffiti. Um rolê com um jovem pela cidade de São Paulo, logo após a série de ataques do crime organizado.
Profissão MC (52 min), de Alessandro Buzo e Toni Nogueira. O filme aborda os dilemas enfrentados por um rapper da periferia em um momento delicado de sua vida.
Pode me chamar de Nadí (18 min), Déo Cardoso (CE). Dos deboches dos colegas ao contato com uma bela modelo negra, os conflitos enfrentados pela menina Nadí por conta dos seus cabelos crespos.
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18h Debate A periferia se vê no cinema de periferia?
Ricardo Elias – cineasta e diretor dos filmes De passagem e Os 12 trabalhos
Rogério Pixote – cineasta e articulador do coletivo Cine Becos e Vielas
Toni Nogueira – produtor executivo da DGT Filmes e cinegrafista
Coordenação: Luiz Barata – coordenador do núcleo de audiovisual da ONG Ação Educativa
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20h Exibição de filme
Os 12 Trabalhos (90 min), de Ricardo EliasNuma leitura contemporânea do mito de Hércules, um ex-interno da Febem tem que cumprir doze tarefas para conseguir o emprego de motoboy na cidade de São Paulo.
Local: CEU Casa Blanca
Rua Damasceno, 85 – Vila das Belezas
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Dia 23/10 (Sexta-feira) Teatro
16h Debate
É possível viver sem escrever?
Xico Sá – escritor e jornalista
Sacolinha – escritor, ativista e coordenador de um centro cultural em Suzano/SP
Marcelino Freire – escritor, blogueiro e agitador literário
Coordenação: Roseli Loturco – jornalista e professora da ONG Papel Jornal
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20h Apresentações teatrais
Os Tronconenses – Núcleo Teatral Filhos da Dita (Instituto Pombas Urbanas)
Formado por jovens atores da periferia da Zona Leste, o núcleo apresenta a história de “Tronconé”, uma cidadezinha imaginária que se parece com muitas cidades brasileiras. No espetáculo, crianças encenam a vida adulta, o imaginário e o real se misturam, loucura e lucidez muitas vezes se confundem.
Solano Trindade e suas negras poesias – Capulanas Cia de Arte Negra
A companhia Capulanas é formada por jovens negros atuantes em movimentos artísticos da periferia de São Paulo. Nesta apresentação, a força da mulher negra e das manifestações populares ecoa no trabalho cênico e na dramatização das poesias de Solano Trindade, Elizandra Souza e dos próprios atores.
Local: CEU Campo Limpo
Avenida Carlos Lacerda, 678 – Campo Limpo
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Dia 24/10 (Sábado) Caldeirão Cultural
11h Feira de livros e exposições- Venda de livros e a presença dos coletivos literários e escritores periféricos
- Exposição de pinturas, de Jair Guilherme
- Mostra Arte Dulixo, de Tubarão
- Metalmorfose (arte com sucatas de carro), de Casulo
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16h DebateArte de rua na periferia
Jair Guilherme – artista plástico e professor de artes, dirige um ateliê na periferia
Michel Onguer – artista plástico das ruas (grafiteiro) e arte-educador
Cripta Djan – pixador e documentarista
Coordenação: João Wainer – fotógrafo e produtor de vídeos
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19h Apresentação musical Brau Mendonça
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Show intimista de música brasileira com o cantor dos saraus cooperiféricos
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20h Encontro dos saraus
Grande encontro de valorização da poética e política dos coletivos literários de São Paulo.
Com: Cooperifa, Elo da Corrente, Rascunhos Poéticos, Sarau da Ademar, Sarau da Brasa, Sarau do Binho, Sarau do Povo e Sarau Rap.
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Local: CEU Campo Limpo
Avenida Carlos Lacerda, 678 – Campo Limpo Dia
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25/10 (Domingo) Música
Apresentações musicais
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16h30 Kolombolo Diá Piratininga Grupo que se dedica à pesquisa e difusão do samba paulista
17h30 Wesley Nóog & 1Banda Funk, samba, soul e suingue brasileiro
18h30 PeriafricaniaParticipação de Crônica Mendes, do grupo “A Família” Rap de protesto com um grupo formado nos saraus da Cooperifa
19h30 Versão PopularParticipação especial de B. ValenteMúsica e poesia com o grupo de rap nascido na Zona Sul paulistana
20h30 Grande show de encerramento
GOG
O melhor do hip hop nacional com o poeta do rap
Local: Casa Popular de Cultura do M’ Boi Mirim Rua Inácio Dias da Silva, s/n - Piraporinha
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REALIZAÇÃO: COOPERIFA
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PARCERIA: AÇÃO EDUCATIVA, CENTRO CULTURAL DA ESPANHA, ITAU CULTURAL, GLOBAL EDITORA E SESC SANTO AMARO
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Curadoria: Sérgio Vaz
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Agradecimentos: Casa Popular de Cultura do M’Boi Mirim, CEU Campo Limpo, CEU Casa Blanca e Bar do Zé Batidão
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TODAS AS ATIVIDADES SÃO GRATUITAS
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ENTREGA DE CERTIFICADO NOS DEBATES INFORMAÇÕES
Categoria: Dicas -
Ser Criança
Postado dia 9/10/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 14:56 2 comentáriosPessoal, recebi hoje esse texto na minha caixa de e-mails e o achei muito legal, vale a pena dar uma lida.
Ser Criança
Ser criança é achar que o mundo é feito de fantasias, sorrisos e brincadeiras.
Ser criança é comer algodão doce e se lambuzar.
Ser criança é acreditar num mundo cor de rosa, cheio de pipocas.
É ser inesquecivelmente feliz com muito pouco.
É se tornar gigante diante de gigantescos pequenos obstáculos.
Ser criança é fazer amigos antes mesmo de saber o nome deles.
É conseguir perdoar muito mais fácil do que brigar.
Ser criança é ter o dia mais feliz da vida, todos os dias.
Ser criança é estar de mãos dadas com a vida na melhor das intenções.
É acreditar no momento presente com tudo o que oferece, é aceitar o novo e desejar o máximo.
Ser criança é chorar sem saber porque.
Ser criança é estar em constante estágio de aprendizado, é querer buscar e descobrir verdades sem a armadura da dúvida.
Ser criança é olhar e não ver o perigo.
Ser criança é ter um riso franco esparramado pelo rosto, mesmo em dia de chuva, é adorar deitar na grama, ver figuras nas nuvens e criar histórias.
Ser criança é colar o nariz na vidraça e espiar o dia lá fora.
É gostar de casquinha de sorvete, de bolo de chocolate, de passar a ponta do dedo no merengue.
Ser criança é acreditar, esperar, confiar.
E é ter coragem de não ter medo.
Ser criança é querer ser feliz.
Ser criança é saber embrulhar desapontamentos e abrir caixinhas de surpresas.
Ser criança é sorrir e fazer sorrir.
Ser criança é ter sempre uma pergunta na ponta da língua e querer muito todas as respostas.
Ser criança é misturar sorvete com televisão, computador com cheiro de flor, passarinho com goma de mascar, lágrimas com sorrisos.
Ser criança é errar e não assumir o erro.
Ser criança é habitar no país da fantasia, viver rodeado de personagens imaginários, gostar de quem olha no olho e fala baixo.
Ser criança é pedir com os olhos.
Ser criança é gostar de sentar na janela e detestar a hora de ir para a cama.
Ser criança é cantar fora do tom e dar risadas se alguém corrige.
Ser criança é ser capaz de perdoar e anestesiar a dor com uma dose de sabedoria genuína e peculiar.
Ser criança é andar confiante por caminhos difíceis e desconhecidos na ânsia de desvendar mistérios.
Ser criança é acreditar que tudo é possível.
Ser criança é gostar da brincadeira, do sonho, do impossível.
Criança é saber nada e poder tudo.
Ser criança é detestar relógios e compromissos.
É ter pouca paciência e muita pressa.
E ser criança é, também, ser o adulto que nunca esqueceu da criança que foi um dia.
O adulto que consegue se reencontrar com a criança que ainda vive no seu íntimo e mais precioso território.
Aquele pedaço que justifica todos os percalços e que dignifica todos os tropeços.
A ingenuidade restaurada no dia-a-dia e que o transforma em herói ao reler as histórias de sua própria vida, narradas pela criança que o abraça, nas entrelinhas de um tempo que permanece imutável porque sagrado.
O tempo do princípio, da origem, da própria essência.
Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora -
Sustentabilidade e Educação
Postado dia 14/9/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 15:39 3 comentáriosHoje em dia, muito se fala em sustentabilidade, de países, cidades, comunidades. Preocupação com o meio ambiente, salvar o planeta, atitudes ecologicamente corretas.
Tudo isso é muito importante sim. Entretanto, muitos se esquecem do principal no meio de todas essas questões e atitudes. Se não houver uma preocupação com a educação, para que as pessoas possam entender o que está errado e o que podem fazer para contribuir para que toda essa situação possa ser revertida, nada vai acontecer.
Quando falo de educação, não é no sentido de campanhas de preservação do meio ambiente, etc (que também são necessárias, mas não suficientes), mas sim no sentido de uma educação para o desenvolvimento humano, que contribua para a formação da consciência do ser humano, dos jovens, das crianças. Consciência da sua identidade complexa (biológica, psíquica, cultural, social, histórica) e também comum a todos os seres humanos. A consciência de que moramos todos na mesma casa (o planeta Terra), e de que temos que arrumar nossa casa, senão seremos exterminados. Somos a única espécie que não faz falta para o planeta, para a teia da vida. Não podemos mais pensar em raças (as raças são para animais). Precisamos identificar a complexidade da natureza humana, que atualmente está totalmente desintegrada na educação. E situar nossa natureza no universo, e não separá-la dele. Também é essencial trabalhar a educação para a compreensão, em todos os sentidos: entre seres humanos, entre países, compreensão do universo, dos fenômenos naturais, e da própria educação com meio de transformar toda a situação do planeta.
Precisamos trabalhar a alfabetização ecológica, para poder trabalhar o meio ambiente e a sustentabilidade. Um país que não investe nos jovens, e para quem os jovens são problema e não solução, está, ele sim, com graves problemas. A escola de hoje é primitiva. E com essa escola, qualquer projeto de sustentabilidade não vai caminhar. É preciso investir mais na EDUCAÇÃO, no conhecimento (que é diferente da informação). A informação é passageira. Não podemos esquecer do ser humano para conseguir conquistar a sustentabilidade. Promover a inteligência geral das pessoas, utilizar os conhecimentos existentes, identificando os erros para poder corrigi-los.
O governo tem o poder na mão para fazer essa transformação, investindo na educação. Precisamos fazer uma revolução educacional.
Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora -
Poema do Zezinho Jefferson
Postado dia 3/9/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 22:52 3 comentáriosPessoal, hoje mostro esse belo poema do Zezinho Jeffeson Xavier sobre a nossa Casa, vale a pena dar uma lida:
Oh ! Que casa é esta ?
Que da pedagogia de uma Tia,
Ensinou educação,
Em vez de alimentar uma criança,
Com um simples pedaço de pão,
Que no ritmo do amor,
Fez surgir o som de um tambor,
E com um belo sorriso,
Tiramos um jovem do abismo.
E nisso descobrimos que para realizar
Grandes sonhos, precisamos de
Grandes pessoas.
Vemos também que nos muros desta casa
Está o esforço de alguém,
E o suor que tem no concreto,
É simplesmente um gesto
De amor.
Não é uma casa de mentira,
Nem de um ator,
Moro nela e não é só minha,
Mas nesta casa ninguém está sozinho,
Porque essa, é a nossa
Casa do Zezinho.
Jefferson Xavier
Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora -
Reportagem da Folha de S. Paulo - Entrevista Martin Carnoy
Postado dia 10/8/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 20:24 3 comentáriosPessoal, vou postar uma entrevista que saiu na Folha de S. Paulo de hoje (Segunda).
É um economista que leciona na Universidade Stanford, a mais importante da Califórnia e uma das mais importantes dos EUA. Ele se chama Martin Carnoy, e faz algumas reflexões sobre a educação no Brasil e de modo geral.
Fonte: Folha de S.Paulo - 10/08, Caderno Ilustrada.
Link p/ assinantes: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1008200914.htm
MARTIN CARNOY
"Professores brasileiros precisam aprender a ensinar"Para economista, é preciso supervisionar o que ocorre na sala de aula no Brasil; problema também afeta escola particular
Martin Carnoy durante entrevista e, São Paulo sobre estudo em que compara os sistemas de educação do Brasil, Chile e CubaLetícia Moreira/Folha Imagem

MARIA CRISTINA FRIAS
ROBERTA BENCINI
DA REPORTAGEM LOCAL
"POR QUE alunos cubanos vão tão melhor na escola do que brasileiros e chilenos, apesar da baixa renda per capita em Cuba?" A pergunta norteou estudo do economista Martin Carnoy, professor da Universidade Stanford, que filmou e mensurou diferenças entre atividades escolares nos três países. No Brasil, o professor encontrou despreparo para ensinar e atividades feitas pelos alunos sem controle. "Quase não há supervisão do que ocorre em classe no Brasil."
Para ele, o problema também atinge a rede particular. "Pais de escolas de elite pensam que estão dando ótima instrução aos filhos, mas fariam melhor se os colocassem em uma escola pública de classe média do Canadá." Carnoy sugere filmar o desempenho dos professores. "Não basta saber a matéria. É preciso saber como ensiná-la." Ele esteve no Brasil na semana passada para lançar o livro "A Vantagem Acadêmica de Cuba", patrocinado pela Fundação Lemann.
FOLHA - O que mais chamou a sua atenção nas aulas no Brasil?
MARTIN CARNOY - Professoras contratadas por indicação do secretário de Educação do município, que dirigem a escola e vão lá de vez em quando; 60% das crianças repetem o ano, e professoras pensam que isso é natural porque acham que as crianças simplesmente não conseguem aprender. Fiquei impressionado, o livro [didático usado na sala de aula] era difícil de ler. Precisaria ter alguém muito bom para ensinar aquelas crianças com ele. Ficaria surpreso se qualquer criança conseguisse passar [de ano]. Vi escolas na Bahia, em Mato Grosso do Sul, em São Paulo, no Rio... [entre outros].FOLHA - Qual a metodologia do estudo?
CARNOY - Como economista, usei dados macro para explicar as diferenças entre os países nos testes de matemática e linguagem. Fizemos análises com visitas a escolas e filmamos classes de matemática e analisamos as diferenças entre as atividades em classe. Há uma grande diferença, pais cubanos têm renda baixa, mas são altamente educados, em comparação com os do Brasil. O estudo foi finalizado em 2003 e depois comparamos Costa Rica e Panamá. Na Costa Rica, há coisas engenhosas, aulas com duas horas, em que se pode realmente ensinar algo. Supervisionar a resolução de problemas de matemática e, principalmente, discutir resultados e erros. Os alunos cubanos têm aulas acadêmicas das 8h às 12h30. Depois, almoço. Voltam às 14h e ficam até as 16h30, quando têm uma sessão de TV por 40 minutos. A seguir, artes e esportes, mas com o mesmo professor.FOLHA - Ter o mesmo professor durante quatro anos (como os cubanos) é uma vantagem?
CARNOY - Quatro anos, pelo menos. Mas os alunos não mudam de um ano para outro. No Brasil, se alunos e professores mudam muito de escola, como fazer isso? Se a ideia é tão boa, se funciona, deveríamos fazer algo para que pelo menos professores não mudassem tanto.FOLHA - Qual a sua avaliação sobre a proposta da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo que vincula o aumento de salário à permanência do professor na mesma escola e à aprovação em testes?
CARNOY - Sugeri ao secretário Paulo Renato que acrescentasse um teste: filmar o professor, como no Chile. Professores de outra escola avaliam os videoteipes. Professores podem ser bons nos testes, mas péssimos para ensinar. Se você tiver um professor experiente que foi bem ensinado a ensinar e teve um bom desempenho com os alunos, a diferença é visível em relação a uma pessoa sem experiência, como eu. Profissionais que viram as fitas disseram que há grande diferença entre o professor cubano e o brasileiro.FOLHA - A Secretaria da Educação pretende oferecer curso de treinamento de professores de quatro meses. Em Cuba, dura 18 meses, para o nível médio. O que é importante num treinamento?
CARNOY - [Em Cuba] São oito meses para a escola fundamental. Mas são para os professores que não foram à faculdade. Você deve se lembrar que houve escassez de professores, com o incremento do turismo, que atrai pelo pagamento em dólares. Tiveram de produzir muitos professores, muito rapidamente. Então, pegaram os melhores estudantes do ensino médio e lhes ofereceram cinco anos de universidade nos finais de semana. O que é importante nesses cursos de treinamento é ensinar como dar o currículo, como ensinar matemática. O Estado deve estabelecer padrões claros, como na Califórnia. Isso é o que tem de ser ensinado em matemática no terceiro ano. No Chile, há um currículo nacional, mas não ensinam aos estudantes de pedagogia como ensinar o currículo.FOLHA - O sr. dá muita importância ao diretor...
CARNOY - E também à supervisora, que em muitas escolas no Brasil não fazem nada, não entram em sala. Em Cuba, diretores e vice-diretores ou supervisoras assistem às aulas. Nos primeiros três anos de serviços de um professor, eles entram muito, ao menos duas vezes por semana. São tutores que asseguraram que a instrução siga o método e o nível requeridos pelos padrões estabelecidos.FOLHA - Os bônus a professores, como ocorre no Estado de São Paulo, são um bom caminho?
CARNOY - Não há boas evidências de que esse sistema de estímulo funciona. O modelo usado em São Paulo, em que todos os professores ganham mais dinheiro se a escola atingir a meta, pode funcionar. Tentaram isso na Carolina do Sul, no final dos anos 80. Foi um grande sucesso por poucos anos e, depois, deixou de sê-lo porque não houve mais melhora. Eles só atingiram um certo limite e não conseguiram mais progredir. Há o efeito inicial do esforço e depois, quando as pessoas têm que saber melhor como aprimorar o desempenho dos alunos, nada acontece. E não existe mais na Carolina do Sul. O que tem sido feito, em geral, nos EUA não é bônus, mas punição. Se a escola fracassa em atingir a sua meta em três anos, como na Flórida, os estudantes podem receber vouchers e frequentar escolas particulares, em vez de públicas. A forma como estão fazendo em São Paulo não é a melhor. Eles medem neste ano como a segunda série aprende e, no próximo, quanto a segunda série aprende. Mas não os mesmos alunos. Escolas pequenas têm mais chance de receber bônus do que grandes. Se a escola cai, não há punição. Só não recebe bônus. Não estou defendendo punição, só digo que eles [bônus] são mal mensurados. Você pode fazer como em São Paulo, mas não dar bônus todo ano, e sim a cada dois anos. E aí poderá ver o que se ganhou com os alunos que se mantiveram na escola e ter as médias, mas com as mesmas crianças através das séries. O problema da falta de professores é mais grave porque é sobretudo um absenteísmo autorizado, não é ilegal. Em Cuba, professores e alunos faltam pouco. É tudo controlado.FOLHA - Melhorar o ensino público provocaria uma avanço na educação como um todo, inclusive nas escolas particulares?
CARNOY - Pais de escolas de elite pensam que estão dando ótima instrução aos filhos, mas fariam melhor se os colocassem em uma escola pública de classe média do Canadá. Mesmo os melhores docentes brasileiros são menos treinados do que os de Taiwan. Os melhores professores no Brasil têm em média desempenho abaixo da média do professorado de países desenvolvidos. Investir e melhorar a escola pública, que é a base de comparação dos pais, elevaria o resultado das melhores escolas particulares também. Professores são bons em pedagogia, mas não no conhecimento a ser ensinado. Não treinam muito matemática e não sabem como ensiná-la.FOLHA - O que do modelo cubano não pode ser transposto considerando que Cuba vive sob ditadura?
CARNOY - Há, de fato, uma falta de criatividade [no ensino]. Não se pode questionar, ser contra a Revolução. Mas as crianças sabem que estão aprendendo o esperado. São bons em matemática, sabem ler bem e aprendem muita ciência, mesmo nas escolas rurais ou de bairros urbanos de baixa renda. O Brasil tem a capacidade de enfrentar esses problemas [ter crianças bem nutridas, com bom atendimento médico]. Por que em uma sociedade com uma renda per capita que não é tão baixa não se faz isso? Acho que tem de ser construído um sistema de supervisão, com pessoas capazes de ensinar e treinar novos professores a ensinar. Os professores no Brasil estudam muito linhas de pedagogia e menos como ensinar. Podem esquecer tudo aquilo de Paulo Freire, um amigo. Devem ler sua obra como exercício intelectual, mas queremos que professores saibam ensinar.FOLHA - Não é possível conciliar na América Latina bom ensino com autonomia, democracia?
FOLHA - No Brasil seria mais difícil...
CARNOY - A melhor escola é a que tem professores com democracia. Mas temos de ter um acordo de quais são os nossos objetivos. Tony Alvarado é um supervisor em Manhatan que trocou metade dos professores e dos diretores para melhorar a qualidade das escolas. Ele disse aos professores: "Este é o programa. Vão implementá-lo comigo ou não? Têm uma semana para pensar. Se não quiserem, são livres para sair".
CARNOY - Seria muito mais fácil! Um quarto do professorado muda de escola todo ano! Em Nova York, não se demitiu. Alvarado mandou-os para outros bairros. Precisa, no início, de um certo autoritarismo. Porque alguém tem de dizer o que fazer no início. E depois, sim, há uma democracia. Os diretores devem se preocupar com os direitos das crianças. Em Cuba, é o Estado. Aqui, os sindicatos de professores preocupam-se com os direitos dos associados - e estão em certos em fazê-lo. Mas e as pobres crianças que não têm sindicatos para defender seus direitos à educação?
Categoria: Reflexões -
Tricotar pra quê?
Postado dia 4/8/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 10:7 6 comentários













