Home > A casa on-line

Blog da tia Dag
  • O KIT-DINOSSAURO

    Postado dia 30/8/2010 por Dagmar Rivieri Garroux às 10:43 1 comentário

    O Kit–Dinossauro

     

    Outro dia, estava andando pela Casa do Zezinho e, passando pela quadra, me deparei com uma Zezinha de uns 10 anos, junto com seu irmão mais novo, chorando compulsivamente.

     

    Preocupada, me aproximei e perguntei o que estava acontecendo. Para minha surpresa, me responderam que a Escola Pública na qual ambos e seus outros três irmãos estudam estava vendendo (Isso mesmo... vendendo!) Kits de Dinossauros pelo valor de R$10,00.

     

    Evidentemente, aí estava o motivo do pranto da Zezinha. De família paupérrima, ela sabia que não tendo Pai e com a Mãe trabalhando como vendedora ambulante de DVDs piratas, não conseguiria adquirir o tal do Kit. Mesmo encarando a dura realidade o irmão mais novo, de uns 5 anos, tentava acalmá-la:

     

    “A Mãe falou que vai comprar”.

     

    Na realidade, até ele sabia que não iria. A Mãe, vendedora dos DVDs, não tinha 50 reais para comer, comprar roupas, coisas para casa, quanto mais para comprar Kits-Dinossauros para os 5 filhos. Aliás, certamente que o choro da Zezinha lhe custara caro, pois pelo que vimos sua Mãe era bastante violenta e descontava a vida de muita pobreza nos filhos. Felizmente, a Tia Bia já estava cuidando dela na terapia de Mães.

     

    Pouco depois, as crianças pediram para que eu comprasse os Kits. Como sabia que muitos outros Zezinhos estudam na mesma escola e estariam de certo passando pela mesma situação respondi que não seria justo com esses. O perspicaz Zezinho logo rebateu:

     

    “Mas eu não conto para ninguém!”

     

    Expliquei para o menino que não era uma questão de segredo, mas sim de justiça. Pedi para ele se colocar no lugar de algum outro Zezinho que queria o Kit, mas não podia comprar e ficou sabendo que a Tia Dag pagou em segredo para ele.

     

    “Eu ia sentir muita raiva!” – Refletiu.

     

    Pois é. Quem não ficaria? Mas acredito que a grande reflexão a se tirar dessa experiência é o fato de uma Escola Pública vender – literalmente – uma frustração. Aliás mais uma, para crianças que não tem condições de comer muitas vezes, quanto mais de se ter brinquedos, Kits-Dinossauro.

     

    A Escola deveria ser a fornecedora de sonhos, do conhecimento, do “Eu posso”, “Eu Consigo!” e não apenas mais um elemento do “Custa tal, se não tiver, fica sem”, pois disso, nossas crianças já estão cheias.

     

    Enfim, a conclusão deste episódio absurdo e lamentável é que estamos correndo atrás da fabricante dos Kits-Dinossauro para tentarmos conseguir eles de graça para os nossos Zezinhos. Estamos no aguardo...



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • TEXTO DA ZEZINHA - CAROLINE CORREA SABINO

    Postado dia 24/8/2010 por Dagmar Rivieri Garroux às 12:15 1 comentário
    O planeta é um ser vivo como um todo e os rios são como suas veias, as pessoas e os seres vivos são como células do corpo para defender um organismo, só que algumas células cancerígenas invadiram o seu sistema e estão infectando suas correntes sanguíneas, infiltrando o câncer em seus pulmões e agora não tem mais volta.
    O planeta está condenado a morte, e as células boas não estão sendo fortes o suficiente para acabar com as más, a única coisa que se pode fazer agora é tentar é tentar adiar o inadiável para que o planeta tenha uma morte mais tranqüila , porque não é justo que depois de tudo que ele fez por nós deixarmos tudo acabar assim.
    “Não é um a menos para poluir o planeta, é um a mais para ajudá-lo a viver."


    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • PRA MOSTRAR OUTRA FORÇA

    Postado dia 16/8/2010 por Dagmar Rivieri Garroux às 11:31 2 comentários
    Pra mostrar outra força
    Vocês se lembram quando comentei sobre a nossa intervenção na comunidade do Sto. Antonio a propósito da formação da liga de futebol? As divergências entre os grupos eram grandes e aparentemente insolúveis. (texto Diálogo e paz). Mostramos que o diálogo seria a saída. Deixamos registrado nosso voto de confiança nas suas capacidades de se entenderem e se resolverem. O resultado não me surpreendeu. As discussões foram evoluindo e depois da intervenção do Projeto A Gente Transforma (pra mim, A Gente Provoca!!!), deixaram de lado a idéia da liga e pensaram em formar uma Associação de Moradores. Pra gente de raça, o caminho entre o pensar e o fazer é muito curto. Com a garantia de apoio e orientação da Casa do Zezinho, eles foram atrás de informações e na última sexta-feira, dia 13, apareceram para uma reunião aqui na CZ com uma lista de 80 nomes que já aderiram à Associação. 80 assinaturas com números de documentos e tudo o que é preciso!   
    O primeiro passo foi o diálogo, o segundo a confiança que se estabeleceu ao longo dos anos e se realizou com a intervenção no campinho do Astro. Pela primeira vez na vida daquelas pessoas, um grupo chegou pra fazer de fato e de verdade alguma coisa pela comunidade, sem pedir nada em troca. De acordo com os moradores, as pessoas só se “atrevem” a descer no Parque Sto. Antonio em época de eleição. Prometem mundos e fundos em troca de votos. Prática comum que a sociedade finge desconhecer...
    Se a gente descer do salto, descer do palco, se abrirmos mão, “ligeiramente que seja”, de nossas vaidades, nossas arrogâncias como srs. do saber e do poder, podemos fazer muito pelo nosso país. Quando a gente olha olho no olho, não impõe verdades absolutas,  quando há troca de saberes e competências, quando a gente de fato, se dispõe a fazer, a força desse povo, na aparência tão frágil, se manifesta com toda sua plenitude!
    Logo logo a Associação dos Moradores estará legalmente constituída com a  força e a proteção  de Santo Antonio e a garra  de seus moradores!


    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Televisão Versus Infância

    Postado dia 5/8/2010 por Dagmar Rivieri Garroux às 1 comentário
    Televisão versus infância
    Uma sociedade de consumo torna-se mais “ justa a” partir do acesso das classes sociais mais baixas aos seus bens . Não tenho dados estatísticos precisos, mas suponho que hoje, em mais de 70% dos lares brasileiros exista pelo menos um aparelho de TV. Com pagamentos a perder de vista e a juros exorbitantes, bens móveis, antes inatingíveis à grande maioria da população, não são mais sonhos de consumo e sim realidade. Mas a que preço? Quando finalmente terminam os boletos de pagamento, o ” feliz comprador “ nem sempre se dá conta que pagou o dobro por um eletrodoméstico. Dizem que o país cresceu... No entanto são no mínimo bizarros, pra não dizer cínicos, os indicadores que medem o crescimento do nosso país.
    Que lugar ocupam os valores mais preciosos e fundamentais para o desenvolvimento humano e de uma sociedade verdadeiramente mais justa? Que medidas foram tomadas para o implemento do que realmente liberta - educação de melhor qualidade, salários mais dignos para seus profissionais, acesso a cursos, etc, etc...? Poucas e muito tímidas para o tamanho das necessidades. Quais as chances do nosso povo das classes C e D de fazer um programa cultural aos fins de semana? Poucas ou nenhuma! A televisão é o grande meio de desafogo, a única opção de lazer.
    Me  causa  grande temor a exposição exagerada e sem limites de nossas crianças às suas mensagens. Assisti a um vídeo veiculado no Youtube (televisão x infância) que reacendeu minha preocupação com o assunto. Somos bombardeados diariamente por mensagens subliminares que nos impelem a consumir sempre e mais e mais. Como se a felicidade, o bem estar fosse sinônimo de consumo. Em adultos com estruturas mentais e emocionais bem formadas os riscos já são enormes. Imaginem quando se trata de crianças.
    Nesse sentido, como julgar uma mãe que sai de manhã para trabalhar e, por absoluta falta de opção, deixa seus filhos dentro de casa, geralmente aos cuidados do primogênito ,muitas vezes com 9, 10 anos de idade? É óbvio que a televisão ligada o dia inteiro, é a saída. Se eu chegar pra essa mãe que conquistou o direito de ter uma TV dentro de casa e começar a falar sobre os perigos que esse fato representa para a formação de seus filhos, ela ri na minha cara, ou no mínimo vai me julgar maluca. Os pais de classes mais privilegiadas tem sempre o arbítrio de permitir ou não essa exposição exagerada. E se o permitem, por comodismo, falta de tempo, ou seja lá o que for, “pecam” conscientemente, porque tem informações e todas as condições de saber que correm grande risco de estarem criando pessoas consumistas, exclusivistas, distantes dos valores éticos originalmente humanos.
    Só cabe à mãe pobre a preocupação de pagar o aluguel, as contas e de por comida dentro de casa. Cabe a ela cuidar da sobrevivência da sua prole. O futuro é o amanhã, a próxima semana. E como diz o ditado, “a Deus pertence” desde os primórdios da nossa existência como nação. Até quando???
    Quando as futuras gerações de pais, venham de famílias pobres ou ricas, tiverem as mesmas condições de formar muito bem os seus filhos, com o apoio da escola e de toda a sociedade, estaremos lançando a pedra fundamental para a construção de um grande país. E nela estará gravada toda a diversidade e riqueza de nossas origens como povo, nossos saberes e percepções do mundo, nossos valores como Seres Humanos.


    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Estava escrito nas estrelas

    Postado dia 3/8/2010 por Dagmar Rivieri Garroux às 16:11 Nenhum comentário
    Estava escrito nas estrelas
    Romper as cruéis barreiras da pobreza em tudo o que ela implica, é sempre digno de admiração. Quando reconhecemos nossas disponibilidades mais puras, nossa vontade de EDUCAR, como suporte e orientação no processo de vida de alguém que consegiu essa proeza, a admiração se torna orgulho. Nós temos vários casos de Zezinhos de sucesso. São jovens que até hoje reconhecem a importância da Casa na escolha de seus caminhos.
    O Marcos Lopes, nosso Nenê de outros tempos, o moleque criativo, contador de estórias que sempre gostou de escrever, professor formado pela Faculdade de Letras e autor do livro Zona de Guerra, é um deles. Seu talento, assim como o de muitos outros, poderia ter sido abortado pela falta de condições e oportunidades. Felismente o que estava escrito nas estrelas pôde se realizar. Hoje seu curriculum recente seria motivo suficiente para a gente estufar o peito e dizer com todas as letras, é um Zezinho vitorioso! E o menino continua surpreendendo. Por sua conta e risco, ele ultrapassou novas fronteiras. Nesse momento está na Alemanha para uma série de palestras sobre seu livro. As notícias são de sucesso total!
    O comentário no blog é sinal de corujice? Sem dúvida que é! Eu não poderia deixar de registrar fato tão significativo para todos nós. E se por um lado isso nos traz muita alegria, por outro, é duro e triste pensar na quantidade de talentos perdidos, às vezes só à espera de um incentivo, de um afago, de uma oportunidade. Diferentemente da grande maioria das “autoridades” do poder público e das pessoas que circulam em torno delas, aqui na Casa do Zezinho agente arregaça as mangas e, sem nenhum outro interesse, faz opossível e o impossível para que outros talentos se realizem. 


    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • A GENTE PROVOCA

    Postado dia 29/7/2010 por Dagmar Rivieri Garroux às 11:49 1 comentário
    A gente provoca!
    2º passo
    Acho que mudanças consistentes acontecem de dentro pra fora. Mas como esperar o “pulo do gato” em pessoas embrutecidas pela dureza da vida? Como mudar atitudes de gente que não tem mais esperanças? Como reverter a revolta e a violência que o descaso provoca?
    Só por teimosia e milagre, diria a maioria!
    Mas como sou teimosa por natureza e sempre acreditei em milagres (com a força do Patrão lá de cima!), não hesito em dizer que se a gente usar um atributo que nos diferencia dos animais, a CONSCIÊNCIA, se tivermos a generosidade do OLHAR e a capacidade de doar TEMPO E AFETO, o milagre pode acontecer, sim!
    Como privilegiados que somos, por sorte ou destino, é nossa obrigação promover esse milagre. Eu garanto que estamos fazendo muito bem a nossa parte! Felizmente não estamos sozinhos. Tem muita gente boa por aí, grandes talentos a serviço do ser humano. Bravos guerreiros que partilham dos mesmos e altos ideais. Proporcionar qualidade de vida, dignidade, através de ações de grande valia.
    No caso particular da nossa Comunidade, depois de 6 meses de trabalho do Projeto A Gente Transforma (www.agentetransforma.com.br), aconteceu a Semana Mão na Massa, que terminou num evento no último domingo, dia 25 de Julho. A festa de encerramento foi um grande sucesso em todos os sentidos. Coordenados pela sensibilidade e inteligência de um parceiro talentoso, Marcelo Rosenbaum, junto com a Casa do Zezinho e outros parceiros (Suvinil, Vivo, Instituto Elos, STB e muitos mais - ver o site do Projeto), uma grande equipe se mobilizou, motivou, envolveu e fez acontecer o que tanto os moradores do Parque ansiavam. O famoso campinho e as casas à sua volta se encheram de cores fortes, como é a alma da sua gente, brilhantes como o sol que coroou a nossa festa. A fachada de todas as casas está de cara nova. A margem do córrego, antes cheia de lixo, virou um parquinho com brinquedos de madeira para as crianças e um grande jardim cheio de árvores e flores, com a coordenação do Projeto Makaya. Está prevista para muito breve a construção de uma biblioteca e vestiário para os times de futebol.
    O Campo do Astro do Parque Santo Antonio, antes palco de disputas, cenário de assassinatos, começa a virar o espaço de convivência tão esperado. O esgoto continua correndo a céu aberto, pondo em risco a saúde das pessoas, ainda falta iluminação no campo e os alambrados. A Sub Prefeitura se comprometeu com a limpeza do córrego e não tenham dúvidas, a gente vai cobrar!
    Por isso eu me permiti mudar o nome do Projeto. Pra mim, A Gente Provoca , tem mais a ver com o que queremos que aconteça. A gente provoca a sociedade que insiste em se manter distante da realidade de milhões de brasileiros do Sto. Antonio, do Jardim Comercial, de todas as periferias de nossas cidades. A gente provoca a hipocrisia e o preconceito! A gente provoca o descaso do poder público! Exigimos maior eficiência! Exigimos medidas rápidas! Para que além do orgulho que temos pelo nosso trabalho, a gente possa se orgulhar da cidade e do país onde vivemos!


    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Diálogo e paz! - Primeiro Passo

    Postado dia 27/7/2010 por Dagmar Rivieri Garroux às 12:24 1 comentário
     
     
    Diálogo e paz!
    Primeiro passo
    Se a vida não permite que eu me aproprie da minha dignidade, se não permite que meu horizonte ultrapasse as fronteiras cruéis e desumanas que o mundo me impõe, o mínimo que posso fazer é não abrir mão da minha palavra. Se os olhos são o espelho da alma, a palavra é a primeira afirmação do meu ser.
    O querer valer sua opinião na marra e na raça, o não ousar se permitir ouvir opinião diferente   da sua, muitas vezes considerado sinal de fraqueza, gera intransigência, opressão e violência. E isso de maneira nenhuma, é “privilégio” das comunidades excluídas das nossas periferias. É dinâmica inerente ao que se tornou a raça humana, seja pobre ou rico, branco, preto ou amarelo.
    Não é diferente no nosso pedaço. Os conflitos entre os diferentes grupos se estabelecem pela dificuldade de comunicação, pela falta de diálogo. Muitas vezes os sonhos e os objetivos são os mesmos, mas o desejo de “se fazer valer” se torna muito maior do que o consenso que poderia benificiar a todos.
    A intervenção da Casa do Zezinho na comunidade  não aconteceu da noite para o dia. Começou há 20 anos atrás. E foi na batalha do dia a dia que fomos aprendendo, nos aprimorando e ganhando a confiança do povo do Sto. Antonio.
    Não descemos o morro impondo verdades. Não viemos com medo e preconceito. Viemos sim mostrando respeito. Disponíveis para ouvir, aprender e colaborar.
    A comunidade já tinha vários times de futebol organizados e sentiam a necessidade de formar uma liga. Havia também o sonho de revitalizar o campinho, o único espaço de lazer na região. Eles não conseguiam se entender embora todos quisessem chegar ao mesmo lugar. As discussões só aumentavam as rixas. É claro, o pau comia solto, literalmente! Nesse momento entramos em cena pra intermediar essa situação. A organização e todas as decisões estão sendo tomadas por eles. O que a gente fez foi mostrar que a conversa, a troca de experiência, de informações era o único meio de conseguir o que todos queriam. Hoje os times estão organizados e os responsáveis , todos figuras influentes no pedaço, embora com opiniões muitas vezes divergentes, trocam figurinhas na boa e na paz! A última notícia é que, em vez da liga, o pessoal está pensando em formar uma associação de moradores. Foi só um passo que está prestes a resultar num salto maior!
     Houve várias reuniões na comunidade com a presença da CZ . Tudo foi batalhado com muito jogo de cintura. O passo foi pequeno no tamanho, mas extremamente significativo, porque de alguma forma diminuiu a violência. Vale a pena o esforço? Sempre vale a pena, seja no Sto. Antonio ou em qualquer parte do mundo.
     
     


    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • CASA DO ZEZINHO GANHA O PRÊMIO MILTON SANTOS EDIÇÃO 2010

    Postado dia 25/6/2010 por Dagmar Rivieri Garroux às 13:12 1 comentário
    O renomado geógrafo e crítico da globalização Milton Santos (1926 - 2001) foi professor da USP e consultor de organismos internacionais, como a UNESCO. Em 1994, ganhou o Prêmio Vautrin Ludd, considerado o Nobel da Geografia.

    Milton dá nome ao Prêmio institucional da Câmara Municipal cuja solenidade de premiação foi realizada nesta quinta-feira (24/06). Nesta sétima edição, os vencedores foram a Associação Educacional e Assistencial Casa do Zezinho (pelo Projeto Pedagogia do Arco Íris) e a Pastoral da Criança Organismo de Ação Social da CNBB (pelo Projeto de Controle da Mortalidade Infantil). Ambas foram agraciadas com a Salva de Prata.

    A premiação tem o objetivo de homenagear projetos que promovam formas locais de organização e desenvolvimento social no Município.

    A Casa do Zezinho foi vitoriosa na categoria I. Esta categoria inclui projetos que consolidam e ampliam direitos territoriais e culturais, estimulando a interação e participação do cidadão na organização de sua região.

    A associação atende mais de 1000 crianças e jovens/ ano, de ambos os sexos, com idade entre seis e 21 anos, que frequentam 94 escolas públicas da região e são moradores de bairros próximos. A pedagogia inovadora da entidade é baseada em uma metodologia constituída por quatro eixos da educação: Espiritualidade, Ciência, Filosofia e Arte.


    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Reconstruindo a Ponte

    Postado dia 1/11/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 15:34 2 comentários
    As pontes sempre serviram como um meio de passagem entre um lugar, uma comunidade a outra.

    Elas também podem servir como o caminho entre duas culturas, duas pessoas, um aluno e um professor, por exemplo.

    Não podemos deixar nenhuma dessas caírem, como estamos deixando cada dia mais.

    O que vejo, hoje em dia, é a grande necessidade de reconstrução das pontes, para que não se criem abismos de conhecimento, afeto, preconceito, ódio...

    Enfim, não somos raça humana, somos uma grande família descendente de um mesmo DNA de milênios atrás, lá da África...

    A idéia de raça deve ser usada para se definir a classe dos animais, e não para classificar os seres humanos de forma preconceituosa e segregada...

    Vamos fazer das pontes, uma via de duas mãos.

    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Sobre Kichutes e Chuteiras - Sérgio Vaz

    Postado dia 14/10/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 17:30 1 comentário
    Pessoal, segue abaixo um texto muito bonito do poeta e escritor Sérgio Vaz para lermos e pensarmos um pouco.


    Em outubro é o mês em que se comemora o dia das crianças, depois do natal esse é o dia mais aguardado para qualquer menino ou menina, pois, teoricamente é um dia para receber presentes.

    Pra ser sincero não tenho boas lembranças dessas datas, na minha casa a roupa sempre foi muito mais importante do que brinquedo, por isso, desde cedo aprendi a brincar só com os meus botões. Sem carrinho pra dirigir, cheguei de kichute na adolescência, e com os pés cheios de calos no coração.

    Naquela época não era fácil entender que existia um dia só para as crianças, mas ao mesmo tempo, só para algumas crianças. “Quem será que ensinou aos adultos a serem tão cruéis?”. Pois somente um adulto é capaz de ensinar uma criança a ter raiva e inveja ao mesmo tempo.

    Raiva porque as ruas nesses dias eram tomadas de cores e luzes da felicidade alheia, e inveja por que essas cores e luzes não brilhavam no meu quintal. De quebra também aprendi a odiar o Playcenter e o Papai Noel. Bom velhinho, sei...

    No caso das meninas fico pensando que também não devia ser diferente, não deve ser fácil acalentar a boneca da vizinha e chamá-la de minha filha ao mesmo tempo. Brincar de babá aos seis anos deve doer tanto quanto ser motorista aos sete. Sorrir com a alegria emprestada... é muito sério ser criança.

    Descobri que somos o país do futebol porque uma única bola, não importa de quem seja, é capaz de fazer a alegria de um bairro inteiro, e nessa hora não importa quem ganhou presente ou não. Para quem não sabe o futebol também é um esconderijo de crianças tristes e solitárias. Descalços ou não,uns chutam a bola, outros a vida.

    Não estou fazendo propaganda de supermercado e nem sei se as pessoas se tornam melhores porque na infância ganharam brinquedos ou não, só quis lembrar um tempo em que o algodão não era tão doce.

    Se vão presentear seus filhos, para que não se tornem poetas tristes como eu, não esqueçam, as crianças gostam que os pais venham como acessórios. Ou quem sabe, o contrário.

    Nesses tempos onde as mães jogam os filhos no lixo, haverá um tempo que a gente não lembrará mais a falta dos brinquedos, e sim das crianças.

    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Ser Criança

    Postado dia 9/10/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 14:56 2 comentários
    Pessoal, recebi hoje esse texto na minha caixa de e-mails e o  achei muito legal, vale a pena dar uma lida.

    Ser Criança
     
    Ser criança é achar que o mundo é feito de fantasias, sorrisos e brincadeiras.
    Ser criança é comer algodão doce e se lambuzar.
    Ser criança é acreditar num mundo cor de rosa, cheio de pipocas.
    É ser inesquecivelmente feliz com muito pouco.
    É se tornar gigante diante de gigantescos pequenos obstáculos.
    Ser criança é fazer amigos antes mesmo de saber o nome deles.
    É conseguir perdoar muito mais fácil do que brigar.
    Ser criança é ter o dia mais feliz da vida, todos os dias.
    Ser criança é estar de mãos dadas com a vida na melhor das intenções.
    É acreditar no momento presente com tudo o que oferece, é aceitar o novo e desejar o máximo.
    Ser criança é chorar sem saber porque.
    Ser criança é estar em constante estágio de aprendizado, é querer buscar e descobrir verdades sem a armadura da dúvida.
    Ser criança é olhar e não ver o perigo.
    Ser criança é ter um riso franco esparramado pelo rosto, mesmo em dia de chuva, é adorar deitar na grama, ver figuras nas nuvens e criar histórias.
    Ser criança é colar o nariz na vidraça e espiar o dia lá fora.
    É gostar de casquinha de sorvete, de bolo de chocolate, de passar a ponta do dedo no merengue.
    Ser criança é acreditar, esperar, confiar.
    E é ter coragem de não ter medo.
    Ser criança é querer ser feliz.
    Ser criança é saber embrulhar desapontamentos e abrir caixinhas de surpresas.
    Ser criança é sorrir e fazer sorrir.
    Ser criança é ter sempre uma pergunta na ponta da língua e querer muito todas as respostas.
    Ser criança é misturar sorvete com televisão, computador com cheiro de flor, passarinho com goma de mascar, lágrimas com sorrisos.
    Ser criança é errar e não assumir o erro.
    Ser criança é habitar no país da fantasia, viver rodeado de personagens imaginários, gostar de quem olha no olho e fala baixo.
    Ser criança é pedir com os olhos.
    Ser criança é gostar de sentar na janela e detestar a hora de ir para a cama.
    Ser criança é cantar fora do tom e dar risadas se alguém corrige.
    Ser criança é ser capaz de perdoar e anestesiar a dor com uma dose de sabedoria genuína e peculiar.
    Ser criança é andar confiante por caminhos difíceis e desconhecidos na ânsia de desvendar mistérios.
    Ser criança é acreditar que tudo é possível.
    Ser criança é gostar da brincadeira, do sonho, do impossível.
    Criança é saber nada e poder tudo.
    Ser criança é detestar relógios e compromissos.
    É ter pouca paciência e muita pressa.
    E ser criança é, também, ser o adulto que nunca esqueceu da criança que foi um dia.
    O adulto que consegue se reencontrar com a criança que ainda vive no seu íntimo e mais precioso território.
    Aquele pedaço que justifica todos os percalços e que dignifica todos os tropeços.
    A ingenuidade restaurada no dia-a-dia e que o transforma em herói ao reler as histórias de sua própria vida, narradas pela criança que o abraça, nas entrelinhas de um tempo que permanece imutável porque sagrado.
    O tempo do princípio, da origem, da própria essência.



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Sustentabilidade e Educação

    Postado dia 14/9/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 15:39 3 comentários

    Hoje em dia, muito se fala em sustentabilidade, de países, cidades, comunidades. Preocupação com o meio ambiente, salvar o planeta, atitudes ecologicamente corretas.

    Tudo isso é muito importante sim. Entretanto, muitos se esquecem do principal no meio de todas essas questões e atitudes. Se não houver uma preocupação com a educação, para que as pessoas possam entender o que está errado e o que podem fazer para contribuir para que toda essa situação possa ser revertida, nada vai acontecer.

    Quando falo de educação, não é no sentido de campanhas de preservação do meio ambiente, etc (que também são necessárias, mas não suficientes), mas sim no sentido de uma educação para o desenvolvimento humano, que contribua para a formação da consciência do ser humano, dos jovens, das crianças. Consciência da sua identidade complexa (biológica, psíquica, cultural, social, histórica) e também comum a todos os seres humanos. A consciência de que moramos todos na mesma casa (o planeta Terra), e de que temos que arrumar nossa casa, senão seremos exterminados. Somos a única espécie que não faz falta para o planeta, para a teia da vida. Não podemos mais pensar em raças (as raças são para animais). Precisamos identificar a complexidade da natureza humana, que atualmente está totalmente desintegrada na educação. E situar nossa natureza no universo, e não separá-la dele. Também é essencial trabalhar a educação para a compreensão, em todos os sentidos: entre seres humanos, entre países, compreensão do universo, dos fenômenos naturais, e da própria educação com meio de transformar toda a situação do planeta.

    Precisamos trabalhar a alfabetização ecológica, para poder trabalhar o meio ambiente e a sustentabilidade. Um país que não investe nos jovens, e para quem os jovens são problema e não solução, está, ele sim, com graves problemas. A escola de hoje é primitiva. E com essa escola, qualquer projeto de sustentabilidade não vai caminhar. É preciso investir mais na EDUCAÇÃO, no conhecimento (que é diferente da informação). A informação é passageira. Não podemos esquecer do ser humano para conseguir conquistar a sustentabilidade. Promover a inteligência geral das pessoas, utilizar os conhecimentos existentes, identificando os erros para poder corrigi-los.

    O governo tem o poder na mão para fazer essa transformação, investindo na educação. Precisamos fazer uma revolução educacional.



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Poema do Zezinho Jefferson

    Postado dia 3/9/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 22:52 5 comentários
    Pessoal, hoje mostro esse belo poema do Zezinho Jeffeson Xavier sobre a nossa Casa, vale a pena dar uma lida:

    Oh ! Que casa é esta ?

    Que da pedagogia de uma Tia,

    Ensinou educação,

    Em vez de alimentar uma criança,

    Com um simples pedaço de pão,

    Que no ritmo do amor,

    Fez surgir o som de um tambor,

    E com um belo sorriso,

    Tiramos um jovem do abismo.

     

    E nisso descobrimos que para realizar

    Grandes sonhos, precisamos de

    Grandes pessoas.

    Vemos também que nos muros desta casa

    Está o esforço de alguém,

    E o suor que tem no concreto,

    É simplesmente um gesto

    De amor.

     

    Não é uma casa de mentira,

    Nem de um ator,

    Moro nela e não é só minha,

    Mas nesta casa ninguém está sozinho,

    Porque essa, é a nossa

    Casa do Zezinho.

     

    Jefferson Xavier




    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Tricotar pra quê?

    Postado dia 4/8/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 10:7 6 comentários

    Pessoal, hoje resolvi postar um texto da educadora Inayá sobre tricô, em breve, postarei algumas fotos desta oficina da Casa do Zezinho...

    Esperta. Olhar distante, raramente um leve e bonito sorriso. Gestos brutos, quase um menino, procurando esconder sua meiguice. 

    Parece querer dizer alguma coisa. 

    Com que sonha essa menina? De que tamanho será seu sonho?

    Tento me aproximar, mas arredia, escapa.

    Um presente? Talvez.

    Especial, só para ela?

    Que falasse por mim: não tenha medo, pode chegar.

    Preciso ajudar essa menina, dar um sentido a sua vida. Mas não conseguia saber ainda como encontrar esse fio que tece os acontecimentos tanto no nosso mundo interior quanto nas comunidades em que vivemos.

    Buscar esse fio, desembaraçá-lo, tecê-lo de forma diferente, mais confortável, mais de acordo com o sentido que queremos dar para nossas vidas.

    Tecer é isso aí, tecer... E tricotei, rezei ponto a ponto, como num terço. Cada malha trabalhada carregava amor e carinho. Lã fofinha, numa linda cor lilás, fiz um cachecol.  Muito rápido. Estava ansiosa para terminar e confesso muito mais para ver a reação da menina ao receber esse presente. Embrulhei em papel de seda com laço de fita bem colorida, combinando com a cor do cachecol.

    Fazia frio, chovia. Bermuda, sandália havaiana com meia (parece estar na moda), boné e capuz da blusa moletom sobre o boné. Sozinhas, entreguei meu presente que rapidamente foi colocado dentro de sua mochila, sem nenhuma reação.

    Mas não podia desanimar. Aliás, essa reação já era esperada. Precisava deixar um espaço vazio, para que as coisas fossem acontecendo.

    Não demorou muito. Dia quente e lá vem minha amiguinha de bermuda, sandália, boné e... cachecol. Passa por mim sem dizer nada. Pouco depois, já com os colegas em sala, vem se chegando, devagarzinho, cachecol amarrado no pescoço e, frente a todos, me abraça.

    E nossa história de afeto, respeito e confiança, começa aqui...





    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • O que é educar?

    Postado dia 3/8/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 4:35 2 comentários

    Educar é seduzir, é encantar, é despertar a natureza de cada um.

     

    E que cada um consiga exercer sua natureza para o crescimento da comunidade, do mundo.

     

    É encontrar dentro de cada um de nós o sonho, que muitas vezes não sabemos que existe.

     

    É mostrar todas as possibilidades de vida.

     

    É despertar a consciência, o compromisso com o mundo, com o planeta.

     

    A gratidão, a compaixão, a compreensão – de si mesmo, do outro, do mundo.

     

    Só com o amor, força maior, é que esse trabalho todo é possível.

     

    Resgatar isso, criar um desenvolvimento humano, aliás isso é a maior preocupação na Casa do Zezinho, o DESENVOLVIMENTO HUMANO.

    Isso é a ponte de respeito pelo saber do outro.

     

    Saber ouvir.

    Saber falar.

    Saber cheirar

    Saber sentir.

    Saber escutar.

     

    Hoje, nessa nossa sociedade, ninguém quer parar e pensar. Só quer ter e consumir.

     

    Mas o que é preciso é ter paz, ter o silêncio, ter calma para ouvir a Natureza. Aí, se uma folha cai, a gente consegue ouvir.

     

    Parar o pensamento para ouvir o barulho de uma folha caindo.

     

    Rio correndo, água nascendo da terra, vento nas folhas

     

    Barulho do sol esquentando, brilho do sol iluminando, lua, estrelas.

     

    O amor é quieto, não faz barulho.

     

    Uma semente crescendo só, debaixo da terra.

     

    No mundo, essa é a idéia. Onde tiver criança sofrendo, sem sonhar, jovem sem perspectiva e sonho. Que isso contamine cada vez mais e siga em frente.

     

    Na Casa do Zezinho começamos sem nada, acreditando em um projeto junto com a comunidade e que assim é possível mudar... falta muito ainda pra gente sonhar.

    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Educar, um ato de amor

    Postado dia 31/7/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 1:51 1 comentário

    Educar, um ato de amor

    O amor de educar

    O amor e o dever 

    Se me perguntarem por que faço tudo o que faço, por que trabalho como uma louca, direi sem pestanejar que é por amor. Trabalho por amor. Educação é amor. Toda a minha vida, privada ou pública, familiar ou profissional, só vale proporcionalmente ao amor que nela coloquei ou encontrei. Educar pra mim não se restringe a um dever.  Educo por amor. Ao amor não damos ordens, não podemos comandá-lo. Quanto mais colocamos amor no ato de educar menos ele se torna uma obrigação.

    Como poderia escolher entre os meus vários amores, ainda que entre vários desejos diferentes, minha neta, meu filho, meu marido, minha equipe de trabalho, as crianças e os jovens – em função deles? Enquanto o dever de ensinar é pra mim uma obrigação, o amor de ensinar é a plena liberdade. É claro que dever e amor se complementam. Ambos são necessários. O amor é o próprio bem, já o dever é uma imposição da nossa consciência. O ato do amor de educar é dar-se a si mesma. Qual mãe alimenta o filho por dever? O ato generoso de escutar uma criança, de sentir seus medos e sonhos, faz do educador um privilegiado. Parar a aula, parar o pensamento pra dar atenção para um pequenininho é essencial como escutar o barulho de uma folha caindo. O educador que conquista o silêncio amoroso com seus alunos atinge o amor quieto, não precisará mais gritar. A sedução, o encanto, o despertar da natureza de cada aluno é o ato de amizade que a educação oferece. Amar uma criança é praticar de bom grado todos os meus deveres de educadora para com ela. Você não pode dizer que devemos fazer alguma coisa pelas crianças pobres, por que o mandamento de que devemos é em si contraditório, o amor não é um mandamento, é um ideal que nos guia e nos ilumina.



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Entrevista para o Conexão Professor

    Postado dia 30/7/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 11:31 1 comentário
    Pessoal, hoje colocarei aqui uma entrevista que dei para o Conexão Professor, projeto do governo do Rio de Janeiro.

    Se quiser ver a entrevista na página do projeto para conhecer um pouco mais, Clique Aqui


    TIA DAG - Há 15 anos construindo o sonho de milhares de "Zezinhos"

    Em 6 de março de 1994, Capão Redondo, localizado na Zona Sul da cidade de São Paulo, deixava as páginas policiais para assumir as seções de cultura e de educação em todo o país. Isto porque uma mulher chamada Dagmar Rivieri Garroux, que há 30 anos vem trabalhando com crianças com graves problemas de aprendizagem, resolveu fazer de sua casa de 100m², no Parque Santo Antônio, o berço de uma revolução pedagógica, humanista e social.

    Com a ajuda do marido e de um grupo de amigos do tempo da faculdade, o sonho desta heroína brasileira se concretizou na Casa do Zezinho, organização que hoje possui 4.000m² e reescreve cerca de 1.200 biografias, todas previamente revestidas por traumas circunstanciais e pela típica miséria da periferia paulistana.

    Inspirado na luta política travada na década de 1970 e na educação como único meio de transformação social, o grupo construiu uma casa de formação educacional para crianças de baixa renda. “A Casa do Zezinho completa 15 anos agora, mas começou na minha casa, quando eu escondia crianças juradas pelo Esquadrão da Morte, no período da ditadura militar. Começamos com 12 crianças, que viviam um trauma permanente: da pobreza, da miséria, fruto de 400 anos de opressão, desrespeito e omissão”, explica Tia Dag.

    Procurando assegurar o desenvolvimento integral de crianças e jovens entre 6 e 21 anos, o projeto oferece complementação pedagógica, educação moral e ética, orientação em saúde, medicina complementar, atendimento odontológico, psicológico, acupuntura, convênios médico e hospitalar e oftalmológico, atendimento às famílias, alimentação básica e reeducação alimentar. A organização é ainda um Polo de Prevenção à Violência, trabalho desenvolvido em parceria com a Fundação ABRINQ e o Instituto Sedes Sapientiae.

    A Casa do Zezinho inclui ainda atividades esportivas e cursos de idiomas, além de um amplo espaço de convivência, que inspira a construção de estratégias de ensino e aprendizagem tendo a arte como cenário. Trata-se de um conceito auto-suficiente e autônomo, capaz de crescer por seus próprios dinamismos, uma prática humanizada de liberação da criança e dos educadores, todos integrados na vitalização da comunidade e na transformação do meio social.

    Aberta aos moradores de bairros próximos ao espaço, sua linha pedagógica prevê um aprendizado bilateral, em que educador e criança aliam-se na superação dos obstáculos da carência. Esta compreensão propõe a formação de adultos autônomos, preparados para enfrentar os desafios do século XXI.

    E agora, José?

    ‘A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José?”. A inspiração veio mesmo da poesia de Carlos Drummond de Andrade, quando Tia Dag resolveu reeditar a trajetória de Zezinhos em toda a cidade. E a revolução educacional começou por questionar uma pedagogia nacional distante, que ainda descarta a realidade particular do aprendiz.


    Mais um Zezinho construindo o futuro


    “Percebemos que um dos principais desafios do ensino hoje é tornar o conteúdo interessante para uma criança que há muito deixou de sonhar. Se cedo ela precisa trabalhar, ganhar dinheiro, engravidar, é nosso dever lembrá-la de que um dia ela teve sonhos. Que realidade é essa que os livros didáticos multiplicam? O professor não pode mais ser a estrela, mas sim o mediador do conhecimento. Uma Educação de qualidade exige médio-longo prazo”, afirma a pedagoga.

    Segundo Tia Dag, a Educação é uma via de mão dupla e é fundamental que o professor faça o caminho de volta, aprenda com o aluno e conheça o seu universo. Existe na periferia uma diversidade de cores, culturas e sonhos – todos eles impressos na Pedagogia do Arco-Íris aplicada na Casa do Zezinho. Nela, o educador precisa conhecer o seu interlocutor para formá-lo com entusiasmo. “A informação está na internet.”

    Além dos muros de São Paulo

    Desde o batismo do primeiro Zezinho, passaram-se 15 anos. Hoje, a história da cidade é outra, ainda que com muitas ressalvas e mudanças por vir. Os rios de São Paulo construíram perfeitos “Muros de Berlim”, que continuam a separar ricos e pobres, recriando “zonas de guerra” e lançando, diariamente, crianças à invisibilidade.

    Cabeça anos 70, Tia Dag sempre acreditou no país, e não podia aceitar que crianças fossem despejadas nas ruas, com o corpo tomado por “cicatrizes morais”, expatriadas de qualquer direito à cidadania. Para a pedagoga, o jovem não é problema, mas solução.

    “Que Brasil é esse?” – perguntou-se um dia, em 1994, a fundadora da Casa do Zezinho. Quem sabe, Tia Dag, um Brasil em transformação. Ou, quem sabe ainda, um país que hoje busca responder com nomes completos, aniversários, direitos civis, políticos e sociais a reconstrução de sonhos e identidades.


    Zezinhos na sala de aula

    O sucesso da metodologia do cuidado, do afeto e do conhecimento, estampado nos rostos de cada uma das crianças assumidas por Tia Dag, cabe ao comprometimento dos educadores, que são, em 60%, ex-Zezinhos e conhecem a fundo as dificuldades enfrentadas pelo jovem da comunidade.

    “A criança da periferia mora perto da escola e não tem carteirinha de passe. Isolada em guetos, distante das atividades culturais promovidas pela cidade, ela sofre um preconceito velado. Hoje, a Cultura ficou separada da Educação, o que é um grande equívoco. Familiar é tudo o que constrói a personalidade e a identifica no grupo. Neste sentido, é a Cultura que identifica, componente imprescindível da Educação e do desenvolvimento humano”, afirma Tia Dag.

    Sou 100% Capão


    De acordo com a educadora, o movimento Hip Hop surgiu na periferia de São Paulo num momento em que a cidade precisava acordar. Foi aí que a periferia ganhou voz, levantando todo o Brasil em resistência e ação. E é dessa mesma forma, ao implodir muros e criar pontes, que Tia Dag, com a Casa do Zezinho, vislumbra uma nova realidade para as comunidades paulistanas.

    “Por que algumas crianças nos são visíveis e outras não? Os nossos Zezinhos conhecem o sabor do preconceito e não se deixam levar por nada. São orgulhosos da formação que recebem e reivindicam o direito à igualdade. São sobreviventes que conhecem a força que têm e precisam aproveitar essa energia para se apoderar. A nossa tarefa é recuperar essa sede pelo sonho. Aonde se quer chegar e para quê?”, provoca a fundadora da instituição.

    Apesar de todo o esforço, Tia Dag sabe que a evasão existe, ainda que represente menos de 1% dos alunos da Casa do Zezinho. Mas para esta inconformada social, pouco importa o índice. Cada Zezinho perdido é uma vida perdida e, quando isso acontece...

    “Eu paro tudo e me pergunto: o que é que está errado? Está faltando sedução? Seja o que for, precisamos rever o conceito e trabalhar. A Casa do Zezinho não está estagnada”, reforça a educadora, que abriu recentemente a ONG Interferência e já sonha em expandir o ensino para crianças de três a seis anos, com a Casinha do Zezinho. “Não é ‘fazer a minha parte’, eu sou parte do mundo. E é isso o que ninguém mais quer saber. Precisamos acabar com o pensamento mesquinho. Parar com o muro e criar pontes”, conclui Tia Dag.



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Entre derrotas e vitórias

    Postado dia 23/7/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 22:52 Nenhum comentário

    E vamos à penúltima história de zezinhos. Nessa, vemos o leão que cada família de periferia enfrenta dia a dia, sem baixar a cabeça. Também vemos a grande diferença que um sorriso e um pouco de afeto fazem na vida de crianças e jovens...

    Nasci em xx de xxxxx de 1994, minha história não começa muito bem.

    Meu pai disse que quando eu ainda estava na barriga da minha mãe, era muito sofrimento. Dizia que nessa época ele e minha mãe passaram por muitas dificuldades, pois já tinham 03 filhos, embora de 2 não serem do meu pai, ele ajudava minha mãe a criá-los.

    Quando ainda estava na barriga da minha mãe fui rejeitada, minha mãe não me aceitava, não sei por quê. Meu pai disse que ela batia na barriga e falava que não queria ter esse filho.

    Então se passaram 09 meses, nasci e veio uma notícia, o médico disse que esse bebê nasceu com um problema no coração.

    Fiquei internada por 06 meses, pois nasci com o coração pequeno demais. O médico falou que conforme o tempo o tamanho do coração iria voltar ao normal.

    Passou um tempo. Cheguei aos meus 07 anos, foi quando meu pai começou a beber. Na verdade, ele sempre bebeu. No começo, eu achava legal quando ele bebia, pois chegava brincando comigo, mas depois ficou chato porque ele chegava reclamando e brigando com todo mundo. Ele gastava todo o dinheiro, minha mãe brigava com ele e ele brigava com ela.

    Minha mãe ficava revoltada e descontava tudo em mim, eu ficava muito triste, pois tenho irmãos e eu era a única que não recebia amor, afeto, carinho. Meus irmãos não, com eles era diferente, ganhavam brinquedos, amor e um monte de coisas enquanto eu nunca tive uma boneca.

    Passaram dois anos, e eu lá com 09 anos, minha mãe levou eu e os meus irmãos para a igreja, ela queria que nós fizéssemos catequese, para sermos batizados. Nessa mesma época, lá em casa, nós estávamos passando por dificuldades, tinham vezes que não tínhamos dinheiro para comprar pão. Eu e meus irmãos íamos à padaria pedir para o padeiro um pouco de pão velho e se ele podia dar. Tinham vezes que ele dava, mas outras vezes não. Quando ele não dava, tínhamos que voltar para casa muito tristes.

    Quando não conseguíamos pão, eu e meus irmãos comíamos arroz com farinha de mandioca e Ki suco.

    Nessa época, meu pai estava desempregado e em casa nós estávamos passando por muitas dificuldades, até a nossa luz foi cortada, mas graças a Deus a água não foi cortada.

    Entrei na Casa do Zezinho, foi um sonho, pois lá encontrei pessoas que me deram carinho e confiança para mim, também comecei a fazer projeto guri e hoje  é Toca Zezinho, com aula de violino e de coral, conheci uma pessoa maravilhosa, minha professora de violino, uma pessoa meiga e legal, que me ajuda e sempre ajudou.

    Cheguei em casa e falei para minha mãe que estava fazendo violino e que a professora era muito legal, meu pai ouviu e passou mais ou menos uns 7 ou 8 meses, meu pai chegou com um violino  para mim, fiquei muito feliz pois parecia que as coisas estavam melhorando.

    Aqui termino minha história, entre derrotas e vitórias.



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Minha vida está indo

    Postado dia 22/7/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 11:33 Nenhum comentário
    Pessoal, seguimos a série de histórias de vida de alguns zezinhos. Agora, a oitava parte.

    Tudo começou em 1993, o ano em que eu nasci, o meu pai só bebia e ficava 2, até 3 dias fora. Quando minha mãe teve que trabalhar para poder me sustentar, ela pegava restos de feira para eu não passar fome. Já meu pai, sumiu por 10 anos e nunca mais o vi. Minha mãe toda vez me xingava por causa dele, foi a partir daí que passei a ter mais e mais raiva.
     
    Algum tempo depois, meus irmãos nasceram em 1994 e 2000. Meu irmão tem mais atenção, mas minha mãe fala que não. Eu fiquei revoltada e, com 11 anos, comecei a criar problemas na escola. Fingia que ia catar papelão nos condomínios e roubava os ricos que andavam por ali. Comecei a usar drogas para desabafar, mas quando entrei na Casa do Zezinho parei com tudo.
     
    Mas ainda existia um problema: era só minha mãe começar a falar de meu pai que fazia tudo de novo.
     
    Quanto fiz 12 anos fui para o Conselho Tutelar. Fiquei com um pouco de medo, melhorei muito, eu mesma me surpreendi.
     
    Chegou o final de 2004 e o Conselho não me procurou mais. Em 2005 e 2006 não foram uns dos melhores anos, mas indo para 2007 pedi para uma pessoa que morou na minha casa procurar meu pai. Ela procurou, e achou.
     
    Ele estava em Campinas com outra família.
     
    Não fiquei muito feliz, mas me dei bem com eles, hoje em 2009 posso dizer que minha casa tem de tudo. Embora estejamos passando por uma fase de dificuldade e fome e, ainda, se eu pedir algo para a minha avó é bem capaz da minha mãe me bater, mas minha vida está indo.


    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Minha vida em palavras

    Postado dia 19/7/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 23:47 1 comentário
    Pessoal, vamos à sétima história de zezinhos e suas duras batalhas...

    Eu, xxxxx, tenho 16 anos, nasci no dia xx/xx/1993, nasci em São Paulo no Hospital do Campo Limpo.

    Minha infância foi ótima, eu brincava de pega-pega, casinha, pular corda, pique-esconde, eu também adorava ir à casa das minhas tias para passar as férias e os fins de semana lá.

    Quando eu era pequena,  meu irmão se meteu em coisas erradas e acabou indo preso, meu tio morreu, foi algo muito triste, eu gostava muito do meu tio. Minha avó ficou meio que abobada por causa disso.

    Num certo dia, minha mãe chegou ao trabalho bem atrasada e não conseguiu bater o cartão. A gerente pediu para ela assinar um contrato dizendo que chegou atrasada. Ela acabou perdendo o emprego e colocando a firma na justiça, mas no final não ganhou nada por isso. Bom, eu não moro com meu pai, pois ele não me assumiu como filha. Minha mãe me criou praticamente sozinha com meu padrasto, daí nasceu o meu irmão, que hoje tem nove anos. Quem cuidava de mim quando eu era pequena era minha irmã. Quando o meu padrasto foi embora, super triste, para cuidar da saúde dele, viajou para Pernambuco. Todo mundo começou a chorar dizendo que não era para ele ir, mas ele foi. Lá em casa, às vezes, não sobra dinheiro para comprar mistura e muitas das vezes minha mãe tem que pedir fiado ou emprestado para outros. Na escola, muita das vezes eu sou ignorada pelas pessoas que estão ao meu redor porque sou morena e por que meu cabelo não é bom. Os meninos, principalmente, ficam me chamando de cabelo duro, de macaca Santana, quando acabo xingando essas pessoas até me chamam de ignorante. Outro dia vim para a Casa do Zezinho de escova e chapinha. Na sala, isso foi motivo de risada para todo mundo.

    Enfim, nós não devemos desistir, pois temos que ser nós mesmos e não o que as outras pessoas quer que sejamos.






    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Vai melhorar!

    Postado dia 14/7/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 9:23 Nenhum comentário
    Seguindo a série de histórias de vida de alguns zezinhos, hoje, na sexta parte, vemos algo muito recorrente: o alcoolismo e, consequentemente, toda a agressividade e estragos que ele gera.

    Vai melhorar

     Me chamo XXXX e tenho 14 anos. Vou contar a história do meu pai. Bom pelo menos a parte que sei dela. Meu pai é alcoólatra e como bom alcoólatra que é, não admite isso. Pelo o que a minha avó contou, isso já faz alguns anos. O caso é que tudo começou com uma aposta, uma brincadeira entre amigos, o primeiro gole de vinho e pronto, meu pai ganha.

    O caso é que depois daquela vitória vieram muitas outras derrotas. Meu pai sempre trabalhava e como mestre de obras, até que ganhava bem, mas acontece que hoje o caso é outro. Para ser mais claro, ele está há muito tempo sem serviço, minha mãe se divorciou dele. Hoje, vivo sozinha com meu pai e só vejo minha mãe aos finais de semana pois ela é babá e dorme no trabalho.  Como ainda sou muito nova não posso ficar sozinha em casa. Eles se separaram porque ela não aguentava mais a bebedeira dele, o cheiro de cigarro, os ciúmes e várias outras coisas que ele fazia.

    O emprego ele perdeu porque quando começou a beber de vez. Seu trabalho não ficava tão bom como antigamente e a partir daí pararam de chamar ele para fazer reformas. Meu pai também tem uma doença que se chama gato-reumático. Essa doença faz criar varios caroços nas juntas e esses caroços doem e muitas vezes ele não consegue se mexer. Ele deve tomar remédio regularmente só que não tem o dinheiro e ai fica por isto mesmo.

    Hoje em dia, meu pai não bebe muito, mas ainda tem uns escorregões. Ele não é uma pessoa má, ele só tem um problema que pode e deve ser tratado. Minha história, minha e do meu pai ainda não acabou e sei que pode melhorar pois eu tenho fé em Deus e em Nossa Senhora. Sei que eles vão guiar a mim e a meu pai.

    Obrigada por lerem a história do meu pai e a minha também, uma história que vai melhorar.





    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • A História da Minha Vida

    Postado dia 13/7/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 17:7 Nenhum comentário

    Pessoal, mais uma história para lermos e refletirmos um pouco...

    Meu nome é XXXX. Tenho 14 anos, eu estudo na Casa do Zezinho, moro com o meu pai e com a minha mãe, tenho 2 irmãs, uma de 21 anos e  outra de 8. Quando eu tinha 3 anos de idade, eu perdi o meu tio e, desde então, a rotina da minha família mudou. Meu pai bebia moderadamente, mas depois deste acontecimento ele começou a beber muito. Chegava em casa bêbado.

    Certo dia, eu ganhei um casal de passarinhos, meu pai não estava em casa. Quando ele chegou, parecia que estava fora de si, parecia que não era ele. Transtornado, ele pegou o casal de passarinhos da gaiola e arremessou-os contra a parede. Eu fiquei muito triste, mas logo passou. Daí em diante, comecei a mudar meu jeito de agir, comecei a ficar agressiva, só queria ficar na rua porque eu via o meu pai se acabando, se embebedando, e não podia fazer nada. Certo dia, meu pai foi trabalhar e quando chegou, minha mãe e ele começaram a discutir. Meu pai pegou uma faca e partiu para cima da minha mãe. Neste momento, pensei que eu ia perder a minha mãe, só que de repente, minha irmã mais velha, pulou da cama e foi para cima do meu pai.

    Aí então, minha mãe descobriu a Casa do Zezinho e me inscreveu em dezembro de 2000 e fui chamada em fevereiro de 2001. Depois de um bom tempo, eu comecei a brigar na escola e na Casa do Zezinho. Minha mãe me batia só que não era reclamação, só que ela não entendia e não entende até hoje que eu só queria um pouco mais de amor e atenção pois ela só me batia e me maltratava, não me tratava como filha.

    Ela só dá atenção para a minha irmã mais nova e isto dói muito dentro de mim, pois acho que mereço um abraço, um beijo da minha mãe. Eu costumo me abrir mais com a minha prima.

    Para mim, não adianta ela me dar o que eu quero porque eu não tenho intimidade para desabafar. Faço de tudo para chamar a atenção, para falar com ela. Vou aonde mandam eu ir. Só queria contar com ela para realizar os meus dois sonhos: ser cantora e de fazer jiu-jitsu.

    Quando peço para sair e voltar uma ou duas horas da manhã ela não deixa

    Bom, aqui termina a minha história sobre a minha triste vida.    



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • O meu dia - Zezinha Janaire

    Postado dia 1/7/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 17:11 1 comentário

    Pessoal, este é um texto que a zezinha Janaire, da sala Oriente, me pediu para postar no blog, é este tipo de depoimento que nos dá força para seguirmos em frente e continuar o trabalho a todo vapor!

    Bom, meu dia ontem não foi muito agradável, porque tive uma decepção e também decepcionei alguém. Mas fora isso, o meu dia na Casa do Zezinho foi ótimo. Fiz várias atividades, mas a que mais gostei foram as aulas de teatro.

    Para o meu dia ontem, de 0 a 10, eu daria uns 8. Mas tudo muda com o tempo e eu tenho certeza que dias melhores virão.

    Agora vou começar a falar da Casa do Zezinho.

    Em primeiro lugar eu agradeço a Deus pela oportunidade de entrar na Casa.

    Eu entrei na Casa do Zezinho no dia 17 de junho de 2009 e já aprendi várias coisas. A Casa do Zezinho proporciona a todos um aprendizado muito interessante, porque nós aprendemos brincando.

    A Casa do Zezinho, na minha opinião, se destaca pela seriedade e diversão.



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Inesquecível

    Postado dia 30/6/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 22:2 Nenhum comentário
    Pessoal, mais histórias para lermos e pensarmos:

    Nascida em 1995 de um parto normal, tinha uma vida de princesa, fui muito paparicada por meus familiares. Quando nasci, minha irmã tinha apenas 8 anos. Mamãe já havia sido casada, mas separou-se. Foi quando descobriu sua paixão por meu pai. Resolveram morar juntos. Minha irmã fez um pedido a minha mãe. Queria uma irmã. Papai não pensou duas vezes e foi ai que eu surgi.

    Quando completei 5 meses, minha mãe começou a trabalhar. Foi uma época difícil, pois eu ainda era muito nova e dependia muito do leite materno e não queria de maneira nenhuma mamadeira.

    Alguns anos depois, meus pais tiveram mais uma filha cujo o nome é XXXX. Os tempos já não eram mais os mesmos. Minha mãe estava desempregada e o dinheiro era pouco e para completar, meus pais começaram a discutir e acabaram se separando. Na época eu tinha 7 anos. Não compreendi muito bem o motivo. Aquilo foi me corroendo e comecei a ter problemas na escola. Quando chegava o feriado no dia dos pais, não sabia o que dizer quando me perguntavam sobre ele. Muitas vezes fazia presentes na escola e levava para casa na esperança de um dia o meu pai ir lá buscar. Isto cortava o meu coração.

    As vezes, minha mãe escondia os presentes e dizia que meu pai havia buscado quando eu não estava presente.

    Muitas vezes, chorei ao tocarem no assunto. Quantas vezes não me escondi do mundo sem motivo concreto, mas em todos os momentos sempre teve alguém do meu lado, um alguém com quem contar e este alguém está ao meu lado até hoje e sempre será inesquecível. Esse alguém é uma amiga que sempre terá um lugar em meu coração. Esse alguém foi a primeira pessoa a me consolar, um alguém especial que é a minha amiga XXXX, uma amiga que espero ter para a vida toda. Amiga eternamente inesquecível.




    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Minha História

    Postado dia 22/6/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às Nenhum comentário
    Pessoal, mais histórias de Zezinho para refletirmos um pouco

    Minha trajetória começa aqui em 1994, quando minha mãe começou a enfrentar obstáculos de ser mãe solteira. Foram muitas dificuldades, mas mesmo assim, ela não desistiu, foi uma verdadeira guerreira que lutou, lutou muito para me dar o melhor que poderia.

    Com 1 ano de idade, minha mãe percebeu que as coisas estavam começando a ficar cada vez mais pior, e aí foi quando ela decidiu que iria para Salvador a capital de nossa cidade. Teve que me deixar com minha tia. Ainda longe de mim, ela nunca tinha deixado de ajudar com o meu sustento mandando o pouco que ela ganhava.

    Anos depois.... Ela voltou mas para avisar que não estava dando certo onde ela estava e que ela iría para São Paulo. Minha mãe trabalhou muito como empregada doméstica. Com algum tempo de trabalho foi me buscar para voltar de novo com ela. Tudo estava correndo muito bem. Minha mãe e eu estávamos morando na casa na qual ela trabalhava..

    Depois de algum tempo, ela conheceu o meu padrasto. Já namorando, decidiram que iriam morar juntos, claro que eu também. Eu ganhei uma irmã. Depois desse acontecimento, descobrimos que esse não foi um bom plano, porque com o decorrer do tempo minha mãe descobriu que estava sendo traída. Com isso nossa vida virou um transtorno. Havia agressões físicas na minha casa. Com esse acontecimento, eu ficava horrorizada, minha vida já não tinha mais chão, não existia mais riso na minha face vendo aquela situação sem poder fazer nada para ajudá-la.. Com o tempo acabou virando rotina de todos os finais de semana ela ficar com ele depois de tudo que havia acontecido. Pra mim já não tinha sentido.

    No meu lar era um tédio, eu não tinha, nem tenho diálogo com o meu padrasto. Não me conformo com tanto ignoância..

    E mais uma vez a minha mãe foi traída, mas dessa vez, foi diferente. Uma decisão tinha sido feita. Voltamos para a Bahia. Chegando lá, foram momentos de muitas dificuldades. Ela conseguiu trabalho, mas minha mãe recebia muito pouco, mal dava para pagar o aluguel da casa e sem contar com as despesas. Contamos com a ajuda de parentes próximos.

    Com o passar do anos, voltamos para São Paulo porque meu padrasto, foi atrás da minha mãe e ela aceitou. Acabamos indo de novo, infelizmente.

    Hoje, tenho mais uma linda irmã. Nós somos três benções de Deus. Ao olhar por cima de tudo o que passei, um pequeno resumo da minha trajetória, vejo como uma lição de vida, uma experiência. Com isso, sei aproveitar muitas oportunidades, sei correr atrás dos meus objetivos e vencer todas as barreiras que aparecem na minha frente.. E hoje cultivo tudo por aqui na Casa do Zezinho. Esse é um lugar de minha meditação e experiência de vida, a crer que posso e terei um futuro melhor e poderei mostrar a todos que a esperança é a ultima que morre....

    Agora tenho 14 anos, minha vida, graças a Deus mudou completamente, mas para melhorá-la, as vezes me sinto tão sozinha. Eu acho que a minha mãe pensa que só porque eu cresci e tenho irmãs menores, eu não preciso de carinho, amor e compreensão. Mas ainda com todas as dificuldades, levanto as mãos para o céu e agradeço por todas as pessoas que me apoiaram e me deram tudo aquilo que mais necessitei.

    Hoje na Casa do Zezinho agarrei uma grande oportunidade que tive e que irá me ajudar a construir um sonho que é ser atriz e cantora. Eu não vou desistir desse objetivo e com certeza para conseguir tudo que eu quero, vou enfrentar muitas dificuldades, mas tenho perseverança e eu vou conseguir. E minha historia de vida termina aqui com dias melhores pra sempre!!


    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Uma vida díficil

    Postado dia 17/6/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 19:4 2 comentários
    Pessoal segue um texto feito por um Zezinho, vale a pena ler:

    Uma Vida Difícil

    Desde 1995, ano em que vim ao mundo, minha vida era muito razoável, até 2001. Neste mesmo ano, meu pai abandonou a minha mãe com os dois filhos, eu com 6 anos de idade e meu irmão, com 15 anos.

    Depois desse dia, minha vida virou de ponta cabeça. Minha mãe começou a trabalhar de faxineira para sustentar eu e meu irmão e assumir todas as despesas da casa incluindo: aluguel, água e luz.

    De repente, minha mãe foi ficando doente e hoje está afastada do trabalho ganhando apenas um salário mínimo, para arcar com aluguel, água e luz.

    Hoje, até para comer pedimos ajuda. Para mim, minha vida é um transtorno por ver minha mãe sofrendo e eu não poder ajudá-la. Teve um dia que me partiu o coração quando chegava a hora do café da manhã , eu pedia para a minha mãe :

    - Mãe, quero pão.

    Mas como minha mãe não tinha dinheiro, e ela com os olhos cheio de lágrimas dizia :

    - A mãe não tem dinheiro para comprar pão mas iremos sair desta vida para melhor.

    E quando não tinha dinheiro para comprar o pão, nós tomávamos o café da manhã com arroz e café para eu ir à escola e ela ao trabalho.

    Já saí pegar latinha parar ajudar minha mãe mas ela nunca admitiu isso. Para ela era muito perigoso.

    O que minha mãe ganha não dá nem para os remédios dela, que são muito caros e difíceis de comprar. Apesar de ter a vida assim, muito difícil, eu sou muito feliz porque Deus me concedeu uma mãe muito batalhadora.

    Até que fui encaminhado para um lugar chamado Casa do Zezinho. Esse lugar é um sonho de muitas crianças do mundo. Lá tem educadores muito bons que tem um cuidado muito especial com todos os alunos. A dona desse lugar é uma dávida de Deus, é uma joia rara, é uma pessoa que tem um lugar guardado no ceu,

    Por isso que quando vou dormir faço uma oração e no final da oração digo :

    - Senhor, abençoe a Tia Dag e todos educadores por que são merecedores dos bens que há na vida. Amém

    Sei que na Casa do Zezinho vou atingir meu objetivo que é um dia poder trabalhar e fazer uma faculdade de direito e ser um grande juiz e poder comprar uma casa para a minha mãe.

    Essa é minha historia




    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Letra A - (4)

    Postado dia 5/6/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 3:19 2 comentários
    Pessoal mais daqueles textos que os zezinhos escreveram sem a letra A. Lembrando que o objetivo dessa experiência é mostrar a importância da união, da força de uma equipe trabalhando em conjunto. Nenhuma letra faz nada sozinha, nem mesmo a famigerada letra A

    Perfeito
     
    Desde sempre tento ser perfeito
    Ser o que eu sou é simples,
    Difícil ser perfeito.
    É tedioso
    Quero defender os inocentes
    Só do desgosto
    Sou muito orgulhoso
    Tenho motivos, sonhos
    Sei que meu futuro
    É o pior que alguém pode ter.
    Sou honesto
    Só isto ?
    Esperto sou
    Tenho que ser exemplo
    Tenho muitos motivos
    Morro de medo do destino
    Prefiro morrer de medo
    Do que de tiro
    Meu momento é o pior
    Olho os outros
    Querendo exemplos
    Só sei que sou guerreiro 
    E ninguém pode me destruir


    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Letra A - (3)

    Postado dia 4/6/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 3:16 Nenhum comentário

     


    O Por do sol
     
    Brilhou no mundo o brilho do céu.
    Fez com que eu visse o mundo diferente
    Despertou sentimentos, em que eu pudesse ter
    Sonhos e poder ter um futuro melhor.
    O pingo de luz que me iluminou, me deixou diferente
    Com objetivo de poder construir sonhos
    E crer que sou forte e tenho emoções como todos. 
    E todos devem ver este sentido de viver como um ser vivo
    Que sempre tem fé e respeito com o mundo em que vivemos.




    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Letra A - (2)

    Postado dia 3/6/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 22:5 Nenhum comentário

    Mais um texto dos Zezinhos, sem utilizar a letra "A"

    - O tempo mudou tudo, menos o que  tem dentro de mim,
      que sempre me surpreende, pois um poder forte como esse não pode fugir.
      É dele que eu preciso, quero ser feliz.
      Meu objetivo é esse: conhecer o direito,

      eu quero ser juiz e todos defender     

     

    Kleber Henrique Silva.  - Sala Oriente



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Letra A

    Postado dia 2/6/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 19:47 Nenhum comentário
    Tudo começou com uma discussão sobre trabalhar em grupos, uns queriam outros não. Diziam que alguns trabalhavam enquanto outros ficavam apenas olhando. Uma discussão típica de adolescente do espaço de aprendizagem da sala Oriente. Argumentei sobre o trabalho em equipe, da força da turma, mas em nada adiantou. Então comecei a falar sobre as letras, que sozinhas não diziam nada e que juntas, puxa, significavam uma explosão de sonhos, sentimentos, enfim, tudo que é a comunicação. Propus a seguinte tarefa: escrever um texto sem a letra A. Resultado: outra explosão fantástica. Vou transcrever alguns textos dessa experiência maravilhosa:

    Um boneco de vidro

    Oi ! Sou um boneco de vidro.
    Por ser muito sensível, sou muito feliz, só que vejo que o mundo que vivo é um pouco pobre de cores, de sorrisos, de sentimentos bons....
    Por eu ser desse modo, os outros dizem horrores sobre mim. Dizem que eu sou muito diferente e que eu tenho que decidir o que eu quero de mim.
    Eu vou ser velho, e por isto quero ter um conhecimento profundo do meu mundo porque eu quero ser muito feliz.
    Só que eu quero dizer um negócio porque eu vou ir pro meu mundo de vidro.
    Eu quero dizer que todos desse mundo tem que ser muito felizes !
    Porque vocês tem muitos momentos bons no futuro. Por isso brinquem muito com todos os pequeninhos!


    Detalhe: quando um Zezinho fez a mesma proposta na escola, a professora disse que seria impossível escrever algo sem a letra A


    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Texto do Zezinho Luciano - Concurso ECA

    Postado dia 1/6/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 17:50 1 comentário

    ...nós até rimos juntos... - Luciano

     

    Diadema, São Paulo, 26 de março de 1992. Aqui começa a minha história.

    Deixaram-me na casa de minha avó. Com minha mãe fiquei durante três anos na rua.  Poucas lembranças: ela e “amigos” usando drogas embaixo de pontes, álcool, roubo. Não percebia bem o que estava se passando.

    Minha irmã, ainda na barriga de minha mãe. Durante um ano e meio foi minha melhor companheira, quando aconteceu o inesperado para mim. Não imaginava estar perto de nunca mais ver seus olhos brilhantes e aquele sorriso alegre.  Um carro branco a levou. Tentei tirá-la da mão de minha mãe, mas já era tarde. Consegui correr até um posto de gasolina próximo a praça onde estávamos, e me escondi.

    Oito anos se passaram...

    Morando na rua, com minha mãe, meus tios e mais um grupo de pessoas, invadimos uma casa próxima ao Hospital das Clínicas até que no ano de 2001os proprietários pediram a casa. Para sairmos de lá ofereceram ao nosso grupo R$ 530,00. Alguns gastaram o dinheiro com drogas, mas meus tios alugaram uma casa na região de M’boi Mirim, perto do Jardim Ângela, onde eu me abrigo, onde vivo com meus tios até hoje. 

    Minha mãe não foi conosco.

    Com meus tios, para ajudar nas despesas da casa, eu ia vender bala no farol.

    E aqui começa uma nova história para mim.

    Começo de 2008. Eu estava sentado perto de um restaurante almoçando, quando duas pessoas se aproximaram - um homem e uma mulher - perguntando onde estavam meus responsáveis. Naquele momento pensei que fossem do SOS Criança, os mesmos que pegaram minha irmã. Levei-os até minha tia (minha mãe continuava morando na rua) e fizeram a ela as seguintes perguntas:

    Os seus filhos estudam? Onde você mora? Você quer fazer um trato conosco?

    Na hora minha tia respondeu: Quero, sim.

    E o homem explicou:

    Nós te damos uma bolsa de R$ 350,00 por mês, mas você não vem mais para a rua com seu filho e coloca-o na escola.

    Minha tia aceitou.

    Depois de três meses voltaram, fizeram o Cartão Família e perguntaram se eu queria entrar para uma ONG.

    Logo pensei: ONG é coisa de SOS Criança, coisa de menino drogado...

    Depois do primeiro dia na ONG Casa do Zezinho, já comecei a perceber que estava enganado. Não era o que eu estava pensando. Logo comecei a desenvolver os meus conhecimentos.

    Quando eu estava na rua não sabia ler, escrever nem mexer em um computador. Agora, quem diria, um garoto de rua, sem estudo, sem qualificação, fazendo sites em computadores, tirando notas altas na escola.

    Eu como um Zezinho, me sinto um rei.



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Palestra no colégio Santa Maria

    Postado dia 27/5/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 22:59 1 comentário
    Pessoal, segue um email que recebi após dar uma palestra no colégio particular Santa Maria, foi uma experiência muito positiva. Fui muito bem recebida por todos no colégio, o tema foi Violência e mostrei alguns lares da favela e como convivemos diariamente com problemas como a falta de uma educação eficiente, saúde, fome a renda per capita de 2 dolares dia. É nesses momentos que se exemplifica o que mais defendo: Atravessar as pontes!

    Bom dia!

    Em nome dos educadores e – principalmente dos alunos - quero agradecer muitíssimo a sua participação na mesa redonda de ontem. Os alunos ficaram muito desestabilizados com tudo o que vivenciaram nos últimos dias e estão cheios de idéias de temas e projetos para desenvolver.

    Ontem mesmo aprofundamos a discussão, ouvindo-os a respeito das diferentes situações vividas pela manhã. Foi muito rico e mobilizador. O sinal do final das aulas da tarde bateu e a discussão continuou. Há outras etapas dessa discussão previstas para os próximos dias. Eles ficaram verdadeiramente entusiasmados em perceber como é possível construir um caminho real de transformação desde que ele faça parte do seu projeto pessoal de vida. É algo que eles sempre levantam: a impotência do indivíduo. Parece que as soluções estão sempre em outro lugar.

    Penso que ainda precisamos conseguir que eles superem uma perspectiva de caráter assistencialista, mas acho que á caminhamos bastante. Houve inclusive retorno positivo de muitos pais, que sentiram em casa o impacto das reflexões.

    Vamos manter contato. Vamos pensar numa ida dos alunos à Casa do Zezinho. Acho que tem de ser mais do que um momento para conhecer a Casa e levar o material que conseguirmos recolher. O que acha?

    Um beijo,

    Sol




    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Você é rico(a)?

    Postado dia 22/5/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 2:19 Nenhum comentário
    Eis um pequeno texto, feito por Inayá, a partir de uma pergunta (muito pertinente) de um Zezinho feita a ela...

    - Você é rica?

    - O que é ser rico, para você.

    - É ser delicada. Ter gestos delicados. 

    Me espanta a pergunta, assim tão de repente.. Precisava esclarecer: delicadeza virou sinônimo de rico? E fui procurar... 

    No dicionário, o substantivo vem emendado por sinônimos como brandura, sensibilidade, sagacidade, perfeição, escrúpulo, cortesia, mimo e embaraço o que dá a medida das margens de compreensão.

    Delicadeza é uma invenção do homem. A natureza não é delicada. Só sobrevive aquele que consegue ter mais resistência e força. As espécies são perpetuadas pelo mais forte. A natureza mata para viver.

    Delicadeza não tem sexo, é bom que se lembre. 

    Há muita resistência em ser delicado nos dias de hoje. A sobrevivência cotidiana, afetiva, emocional, material (como nas leis da natureza), a imposição da competitividade em todos os campos, tudo contribui para tornar a delicadeza um exercício de perseverança. 

    O frio na barriga nos acompanha em qualquer hora da vida. Ao acordar, mesmo aparentemente tranqüilo você tem um dia para enfrentar. No final do dia a carga diária de quem mora numa grande cidade e tem que lidar com o descompasso. Ou seja, o frio na barriga não é maior ou menor do que aquele que precede o dormir e o acordar. 

    Não quero, aqui, mudar nada, nem esclarecer alguma zona que até hoje não tenha sido esclarecida, nem propor uma nova linguagem, apenas trazer a tona o tema delicadeza, espécie de contraponto à voga da incerteza. 

    Acho que entendi a pergunta.





    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Música do Zezinho

    Postado dia 19/5/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 16:27 1 comentário
    Pessoal, essa é uma música feita pelos próprios Zezinhos, sobre nossa Casa e sobre ser Zezinho...

    Zezinho!!! 

    A ponte é preparada pra passar e atravessar

    Minha vida é a favela liberdade só tem lá

    A vida é assim o dinheiro não vem fácil

    Tem que se virar pra arrumar algum trocado. 

    Entregar algum panfleto ou vender uma cocada

    Se tiver usando droga é melhor você ir pra casa

    Casa do Zezinho você começa a crescer

    Primeiro você escreve e depois aprende a ler. 

    A Casa do Zezinho te tira do farol

    Te ensina coisas novas natação e futebol

    Eu sei disso mano e faço minha parte

    Gosto de ler um livro e não faço malabares. 

    Sai dessa vida sai de uma vez

    Na Casa do Zezinho aprendo até inglês

    Agora estou mudando e toco violão

    Adoro e faço parte das aulas de percussão. 

    Tem dia que eu vou pro estúdio de som

    Na Casa do Zezinho a comida lá é show

    Mais eu estou me esforçando e eu quero crescer

    Com a ajuda do Zezinho um serviço eu vou ter. 

    Cada dia eu aprendo

    E não fico no escuro

    Casa do Zezinho

    Obrigado por tudo.  

    Refrão: 

    Olha lá não é só uma ONG

    Na Casa do Zezinho você da um passo adiante

    Preparar te prepara pra o mundo

    Na Casa do Zezinho você não é mais vagabundo.






    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Voluntários do WalMart

    Postado dia 25/4/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 22:56 1 comentário
    Em uma atitude de humanidade, cerca de 60 voluntários da rede WalMart vieram nos ajudar na Casa do Zezinho. Esbanjando boa vontade, ajudaram a gente a limpar e arrumar coisas, pintar paredes, trocar lâmpadas etc. O ambiente ficou mais iluminado, mais leve, deixando as crianças muito felizes. Os voluntários, após o trabalho, entraram no clima da CZ e juntaram-se aos educadores. São atitudes de atenção, carinho, preocupação, como essa que fazem a diferença no planeta.

    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • 5.5

    Postado dia 19/4/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 18:23 Nenhum comentário

    No último dia 16, fiz 55 anos e comemorei com uma belíssima feijoada para todas as crianças da Casa do Zezinho e amigos. Foi um momento extremamente feliz, realmente emocionante.

    Para conferir a as fotos acesse as galerias da Casa do Zezinho ou Clique Aqui

     



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Festa de Páscoa da ONG Interferência

    Postado dia 15/4/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às Nenhum comentário

    A ONG Interferência, no Jd. Comercial, da qual sou diretora-presidente junto com meu amigo Ferréz, está a todo vapor!

     

    CLIQUE AQUI para ver algumas das fotos da nossa festa de Páscoa!

     



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Casos de Ano Novo - 4 (Final)

    Postado dia 30/1/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 4:2 1 comentário

    Jair é um adolescente de treze anos, que atendemos desde 2008. Anteriormente participava de apenas uma oficina na C.Z., hoje freqüenta todas as atividades. Ele relata residir com sua mãe, seis irmãos, dois sobrinhos e cunhada.

     

    O domicilio é de alvenaria, chão de cimento em um terreno invadido.

     

    Ao que se refere à questão de moradia da família, a residência consiste em dois cômodos divididos entre quarto, cozinha e banheiro sem quintal.

     

    A mãe há pouco mais de um mês, teve filhos gêmeos, é um dos bebes nasceu com uma doença congênita.

     

    O pai de Jair é falecido, a mãe separou-se do pai dos filhos gêmeos, mas segundo ela o mesmo, contribui quando pode com alimentos, pois esta desempregado e após o nascimento dos bebes dorme na sua casa para ajudar nos cuidados com as crianças.

     

    A genitora tem uma doença chamada Lúpus e faz acompanhamento e tratamento no hospital São Paulo.

     

    Ela relata também que, passa por muitas dificuldades, começando pelo grande número de pessoas que reside na casa, são onze no total.

     

    O filho que é amasiado, faz um “bico” em uma madeireira recebendo R$ 15,00 quando exerce a atividade, sua esposa e irmã que também tem um filho de um ano e três meses não estão exercendo nenhuma atividade remunerada o que complica no momento de acertar as contas no final do mês e comprar alimentos.

    Segundo ela não pagam aluguel e luz, porém a água a família paga, sendo o valor sempre alto para o seu orçamento e nem todos os meses conseguem fazer o pagamento em dia. 

     

    Para dormir a família divide-se da seguinte maneira, em uma cama de casal, dorme ela com os gêmeos, na cama de solteiro dorme um filho, no beliche situado no outro cômodo, em cima dorme duas crianças em baixo a irmã e o seu pequeno, na outra cama de casal dorme o irmão com a esposa e o filho.

    A casa é extremamente apertada para todos os membros, mas devido a separação da filha e o desemprego do filho os dois tiveram como opção retornar para a casa da mãe.

     

    Jair é dono de dois olhos verdes que contagia pela beleza da cor e de difícil sorriso, porém tem um ótimo convívio com educadores e amigos no espaço de aprendizagem.

     

    Percebe-se que é uma criança sofrida pelas dificuldades que a vida lhe imputa, preocupa-se com seus familiares em especial com a mãe, que se mostra firme na educação dos filhos, acompanhando o desempenho escolar, a vida na C.Z. e companhias do dia a dia.

     

    Esta é mais uma estória de nossos pequenos guerreiros, até mais.



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Casos de Ano Novo - 3

    Postado dia 21/1/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 1:3 Nenhum comentário

    A genitora Sra. Fernanda Mendes, que atendemos na C.Z. relata residir com seus seis filhos e seu marido Sr. José Carlos.

    Ao que se refere à questão de moradia da família, a residência consiste em um cômodo que é dividido entre o quarto do casal e a cozinha o outro cômodo contém o quarto das crianças e o banheiro e um tanque onde Sra. Fernanda lava as roupas e louças.

    A construção do domicilio é, um barraco com blocos e madeiras, na parte da cozinha o chão é de cimento e a parte do quarto das crianças ainda é terra batida.

    O terreno foi comprado por R$ 1.300,00 que a genitora informa ter pago em parcelas juntadas com a venda de alimentos na rua.

    A família não conta com água encanada e tão pouca energia elétrica, por este motivo foi feito um “gato” nome que nós da periferia damos para as famílias que utilizam deste recurso para obter luz clandestinamente.

    Ela relata não ter familiares em São Paulo, e quando sua mãe vem para esta cidade não a visita e a única vez que fez criticou a sua moradia dizendo que a filha conseguia somente morar em lugares muitos feios parecidos com lixões.

    Ela recebe o beneficio do Bolsa-Família, o que contribui para as despesas com alimentação.

    Relata que sua região é precária e por este motivo, busca recursos em bairros afastados do seu conseguindo cestas-básicas, roupas, material de construção e educação continuada como, por exemplo a escola formal e a C.Z.

    Ela gasta duas horas de condução para poder proporcionar uma educação diferenciada para seus filhos que estão matriculados na C.Z..

    Sra. Fernanda relata que seu sofrimento começou muita nova, ela lembra com muita emoção que quando adolescente em sua cidade natal, vendia alimentos nas ruas permanecendo na atividade o dia inteiro e não estava autorizada pela mãe a comer nada e quando fazia porque sentia muita fome chegando em casa, a mãe a agredia com tapas e socos. Ficou grávida de seu primeiro filho com dezesseis anos, e foi expulsa de casa pela genitora.

    Morando na cidade de São Paulo, diz já ter dormido na rua por várias noites com seus quatro filhos que tinha na época, esperava a perua da prefeitura passar no centro da cidade para poder assim fazer a sua única refeição do dia.

    Relata que quando era vendedora ambulante, já em São Paulo pagava uma propina de R$ 30,00 para outros vendedores donos dos pontos e também para poder circular sem ser pega pelo “rapa”.

    (Os nomes, endereços, etc. verdadeiros foram modificados para preservar a identidade dessas pessoas)



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Casos de Ano Novo - 2

    Postado dia 20/1/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 2:51 1 comentário

    A adolescente Mirian Rossi, que atendemos na C.Z. relata residir com seus pais, sua irmã mais nova esta morando com o namorado em um outro bairro.


    Ao que se refere à questão de moradia da família, a residência consiste em um cômodo dividido entre quarto, cozinha e banheiro.


    A construção do domicilio é, um barraco de madeira, chão de cimento em um terreno invadido. O pai é pintor, e no momento está desempregado, faz alguns “bicos” para contribuir no sustento familiar a mãe é doméstica, mas não esta exercendo a atividade.


    Mirian devido à precária situação vende doces no farol para ajudar na alimentação e no que faltar em casa. Ela diz que os pais, em dias de feiras livres, arrecadam frutas e legumes para a família alimentar-se. Relata já ter passado fome, e em certos momentos de suas vidas contavam somente com pão seco para o jantar.


    A família não tem cama, as tábuas, e o colchão são apoiados nos blocos no chão, fazendo parecer uma cama convencional. Miriam dorme em frente ao casal, numa cama de solteiro, quase no mesmo estado de conservação. O telhado está quebrado e em dias de chuva a água adentra o pequeno cômodo fazendo sempre grandes estragos molhando móveis, roupas e etc. 


    A família não conta com água encanada e tão pouca energia elétrica, por este motivo foi feito um “gato” nome que nós da periferia damos para as famílias que utilizam deste recurso para obter luz clandestinamente.


    Os membros desta família, não têm geladeira o que faz com que os alimentos sejam consumidos em poucos dias, pois há riscos de estragarem com facilidade.


    Ela é uma adolescente esforçada, alegre e comunicativa, na presença de seus amigos de curso, ao mesmo tempo tem um olhar triste, quando questionada sobre essa tristeza tão aparente, revela que devido os pais serem alcoolistas ela sofre com a situação, ficando chateada e envergonhada em certos momentos.


    Segundo ela, nem sempre os dois contam com dinheiro para beber, porém na redondeza os amigos que tem o mesmo problema pagam doses aos seus genitores e vice-versa perfazendo assim uma contribuição mutua do vicio de cada um.


    Miriam é esperançosa, diz estar estudando na C.Z. pois acredita que a casa pode lhe dar um futuro melhor e pretender ter outras oportunidades na vida.


    Sr. Manoel, o pai, quando questionado, expressa o interesse em deixar a bebida, pois sente que esta o prejudicando, porém a mãe diz que não pretende fazer nenhum tratamento e também não quer deixar o seu vicio, informa que ele não prejudica ninguém e bebe com o seu dinheiro.


    Percebemos uma vida sem esperança dessa mulher, sente-se bem como esta e inconscientemente não percebe como isto incomoda sua filha que diz que o seu maior desejo é ver os pais longe do vicio.

    (Os nomes, endereços, etc. verdadeiros foram modificados para preservar a identidade dessas pessoas)




    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Casos de Ano Novo - 1

    Postado dia 19/1/2009 por Dagmar Rivieri Garroux às 3:26 Nenhum comentário

    Este texto tem a intenção de levar você leitor, a conhecer mesmo que seja de uma maneira distante (por enquanto, pois queremos você cada dia mais perto) as angústias, privações, desejos, alegrias, moradia, trabalho, renda e sobrevivência de “Zezinhos que convivemos diariamente.

    Iniciamos, relatando sobre a questão da constituição familiar, desses pequenos. A mãe, Sra. Betina Macedo, que atendemos na C.Z. relata residir com os seus cinco filhos, João Macedo 09, Janaina Macedo 07, Julia Macedo 05, Moacir Macedo 03 e Luis Macedo 02 e o marido Sr. Paulo.

    Segundo a mãe, o marido está desempregado há muito tempo, e em alguns momentos faz “bico” de pedreiro e nem sempre contribui financeiramente nas despesas da casa, pois o mesmo é alcoolista e gasta o que recebe com o seu vicio.
     

    A família não conta com água encanada e tão pouca energia elétrica, por este motivo foi feito um “gato” nome que nós da periferia damos para as famílias que utilizam deste recurso para obter luz clandestinamente.
     

    Ao que se refere à questão de moradia da família, a residência consiste em um cômodo dividido entre quarto, cozinha e banheiro, a construção do domicilio e de blocos, mesclando com madeiras, o chão é de terra, há buracos nas paredes e teto, o que no frio faz aumentar a sensação de baixa temperatura, na chuva a casa inunda facilmente, no calor o excesso de bichos como ratos e baratas são constante.

    Os pertences da cozinha, juntamente com as roupas da família são lavados na casa da avó materna. Ao que se refere à higiene pessoal, é feita na casa de uma tia que também mora próxima e as outras necessidades, ai sim a família utiliza o banheiro de sua própria casa.

    O pequeno pedaço de terreno foi cedido pela mãe da Sra. Betina, que devido  ao sofrimento da filha decidiu dividir suas terras invadidas anos atrás, a avó convive ao lado e ajuda a filha nos cuidados dos netos quando esta precisa ausentar-se de sua casa para fazer um “bico” como faxineira na semana que consegue ser chamada para tal função.

    Apesar da família residir, próximo de um campo de futebol, onde as mulheres no verão utiliza-o para secagem de roupas, não podemos dizer que o mesmo ocorra em épocas de chuvas, nesta fase é feito um varal improvisado nos arredores das paredes da casa e as roupas são penduradas e secadas lá. Mesmo sendo do lado de fora, é grande a quantidade de roupa, pois são sete membros no total não tendo como estender todas que são lavadas.

    A mãe esforça-se lavando-as, mas devido à precária secagem, cheiram mau. As crianças usam roupas limpas, porém úmidas em dias mais chuvosos.

    Como vemos, na casa não há espaço para secagem das roupas, no inverno passado, devido ao excesso de faltas, a família e a Casa do Zezinho receberam um comunicado da instituição escolar, pois o filho não estava freqüentando as aulas diariamente.
     

    Como realizamos um trabalho integrado com as escolas, solicitamos a presença da mãe na C.Z. a fim verificar o motivo das faltas, e segundo ela a criança não tinha roupas para ir a escola. Como contamos na ONG com um pequeno acervo de roupas em nossos armários para as crianças a educadora forneceu roupas e sapatos para ele.

    Você pode imaginar sua criança não freqüentando as aulas por não ter roupas limpas ou secas?

    O casal convive na mesma casa, porém dormem separados, Sra. Betina informou que por várias vezes já pediu a separação mais o marido recusa-se a sair de casa. Ele dorme sozinho na cama de casal e ela dorme com dois dos filhos em uma cama de solteiro os restantes das crianças pernoitam todos os dias na casa da avó que mora sozinha e conta com mais espaço.

    Como nossas crianças, sejam elas “Zezinhos, Carlinhos, Mariazinha, Joaninha, Joãozinho ou Pedrinho, crescem e são adultos ainda em formação semana passada tivemos uma triste noticia o filho de Sra. Betina na ânsia de deliciar-se com uma batatinha frita, queimou-se com álcool, ao preparar o seu prato predileto.

    O garoto está sendo atendido pela UBS e acompanhado pela médica da C.Z.

    (Os nomes, endereços, etc. verdadeiros foram modificados para preservar a identidade dessas pessoas)



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Cartas de Natal - 8 e 9

    Postado dia 30/12/2008 por Dagmar Rivieri Garroux às 1:13 Nenhum comentário

    8.
    O aluno Gustavo Carvalho tem 12 anos de idade. Está conosco há seis anos, embora por algumas vezes tenha se afastado por tempo indeterminado. No momento da matrícula, a mãe relatou infinitas preocupações que a perseguiam dia e noite: a educação de seus três filhos, a alimentação e o sustento da família sem a presença do pai. O marido estava “preso”, tinha uma longa pena pra cumprir e a situação ficava cada vez mais difícil.

    A mãe era auxiliar de limpeza, mas não dava mais conta de tanto esforço. Nossa equipe sempre acompanhou de perto cada movimento e tentativa de tornar os dias menos sofridos. As crianças choravam muito pela falta de tudo, representado na figura do pai.

    Conseguimos encaminhar a mãe para o nosso curso de cabeleireiro, ela soube tirar proveito da situação e felizmente, pode concluí-lo e “inaugurar na garagem do seu local de moradia, um pequeno salão”. Até hoje, com muito esforço é o que vem nutrindo esse “núcleo de guerreiros” que insistem, por dias melhores. Graças a Deus!

    Numa de suas fases, a mãe tentou passar no vestibular, sonhava poder cursar uma faculdade. Para sua surpresa, lá estava o resultado, havia conseguido. Ao mesmo tempo lado a lado com a alegria, veio a frustração de não conseguir manter a mensalidade e do marido “mesmo preso” não ter aprovado a boa notícia.

    Ela tem caminhado como foi possível até aqui. Praticamente sem a figura do marido, luta conosco pra não perder o filho para as “más companhias”, ou melhor, o crime organizado.  Infelizmente a vida escolar de Gustavo não foi das melhores referências e notícias, não tinha estrutura pra “bancar” uma sala de aula da escola da escola pública. A falta de olhar e o profundo julgamento, da parte do corpo docente, pela sua “ausência mental” em sala de aula renderam-lhe muitos conflitos e falta de entendimento.

    Felizmente, algumas etapas de seu desenvolvimento cognitivo apontam outros desafios bem menos preocupantes. Na Casa do Zezinho, valorizamos sua liderança e inteligência, para ser um multiplicador do que tem aprendido sempre que possível.


    9.

    O aluno Alexsandro Barreto, tem 09 anos, está na Casa do Zezinho, há um ano. Segundo a mãe ele está gostando muito de freqüentar nossas atividades. Um fato curioso, é que percebemos que ele não gostava de ser chamado pelo nome de Alexsandro.

    Durante a entrevista de anamnese, momento que antecede a formalização da matrícula a mãe nos revelou que seu marido cumpria pena (ainda está preso). Seu pai cometeu um delito e era  quem mais ele tinha afinidade. 

    Continuamos a observar esse “pequeno” atentamente e no momento de responder a chamada no espaço de aprendizagem da Casa do Zezinho, à educadora notava sua postura mudar cada vez que era chamado de “Alexsandro”. Trabalhamos com Alex a questão, sua mãe pode participar de algumas atividades destinadas a orientação de famílias, casos mais específicos e obtivemos as primeiras conquistas em relação ao fato.

    Ele é uma criança bastante participativa, de uma educação e postura admirável. Assim que o convidei para escrever esta cartinha, me respondeu: “escrevo até duas!”. É carinhoso, conversa com o olhar sem perceber que nos conta tanto...

     

    (Os nomes, endereços, etc. verdadeiros foram modificados para preservar a identidade dessas pessoas)

     



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Cartas de Natal - 7

    Postado dia 29/12/2008 por Dagmar Rivieri Garroux às 2:44 1 comentário

    A Sônia Tavares, é de uma grandeza que não se mede! Conhecemos sua família, pessoas de um valor que poucos podem saber. Como ela mesma cita em sua cartinha, tem problemas, mas, é feliz.

    Quando a conhecemos, estava em depressão. Vivia sob a cama e não queria saber de banho e alimentar-se. Chorava todos os dias e não tinha ânimo pra ir à escola. Irmã mais velha, sempre ajudou a mãe nas tarefas da casa. Vivem ainda privados de uma alimentação adequada e saudável. A mãe costuma lavar e passar roupa na comunidade, já seu pai há anos não conhece a palavra trabalho e “dinheiro no bolso”.

    Oferecemos para “Sônia” atendimento médico, psicológico e psicopedagógico. Nesse um ano já passado muitos progressos comemoramos. A mãe aceitou participar do grupo de orientação de pais e o pai ate então, pouco envolvido nas questões espontaneamente iniciou um movimento próprio de acompanhar os filhos na Casa do Zezinho e na escola.

    A vida para esta menina e sua família, não tem sido fácil, mas um pouco melhor em vista do que era. Como ela mesma relata em sua cartinha: “... o que mais me ajuda é a palavra esperança, a qual eu nunca esqueço e outra... Deus fecha uma janela, mais deixa aberta a porta. Sonho com um futuro feliz e cheio de coisas boas pra mim e minha família.”

    (Os nomes, endereços, etc. reais foram modificados para preservar a identidade dessas pessoas)



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Cartas de Natal - 6

    Postado dia 28/12/2008 por Dagmar Rivieri Garroux às 3:12 Nenhum comentário

    Nosso aluno Antônio Arthur da Costa esta há cinco anos conosco e nesse tempo pudemos acompanhar muitos progressos. É uma satisfação para a equipe que o acompanhou até aqui, poder comemorar e ter a certeza de que todo esforço valeu a pena!

    Hoje lida melhor com as questões da sua família e perdas na sua história de vida. Seu pai é pedreiro e a mãe é do lar, sustentaram seus irmãos com uma renda de 1 salário mínimo durante anos. Numa casa de três irmãos acompanhou, durante 3 anos a luta de sua irmã mais nova pela vida, mas esta não resistiu.  A vida escolar era cheia de faltas, ou melhor, obstáculos em relação à aprendizagem e freqüência.

    Antônio cresceu, em todos os sentidos! Relaciona-se com o ambiente escolar com mais interesse, superou a barreira da leitura e escrita. Não lia de jeito algum e não havia quem o fizesse escrever. Ele passou por acompanhamento psicológico e psicopedagógico semanal, e algumas vezes a família participou desses encontros. Para ele há anos atrás solicitar atividade, era na certa receber “folhas em branco”... Ele sempre dizia a mesma frase: “Tia... não adianta insistir comigo!” Mas prosseguimos sempre, porque de uma maneira ou de outra, precisávamos inseri-lo nas propostas pedagógicas.

    Atualmente vem destacando no “basquete” e no grupo, já é líder participativo e multiplicador do seu aprendizado. A escola não mais se queixa com a mãe pela não aprendizagem. É um querido, em meio a tantos!

    (Os nomes, endereços, etc. reais foram modificados para preservar a identidade dessas pessoas)



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Cartas de Natal - 5

    Postado dia 27/12/2008 por Dagmar Rivieri Garroux às Nenhum comentário

    A Solange Lima de Castro tem 11 anos, está conosco há dois anos. Mora há pouco tempo com seu avô materno, porque a situação em sua casa ficou difícil. A falta de alimentação foi e ainda é, um tormento pra esta família. Sua mãe não trabalha e seu pai é jardineiro e continua desempregado. Mesmo morando “de favor”, como conta senhora Rafaela, as preocupações e constrangimentos não se tornaram menores.

    Às vezes chega ao ponto de pedir comida pelas ruas...

    Procuramos acompanhar de perto sua história, dentro do possível oferecer cesta básica, destinar doações de roupas, material escolar e o que mais é pedido. Mas como são tantos casos, nossa “pequena” acaba não sendo beneficiada sempre.

    Aqui na Casa do Zezinho tem oportunidade de seguir uma “trilha pedagógica” diversificada. As atividades integram no cotidiano, uma convivência que garante aprendizado e desafios. Nosso trabalho é se reveste de uma prática de vivências e dinâmicas, nos quais até o ato de brincar agrega objetivo em relação ao desenvolvimento cognitivo das crianças em geral.

    É uma menina que revela sempre que pode, “o seu desejo de trabalhar e mudar a vida que leva”, tão precocemente aflorado. Notamos que essa é a vontade de muito por aqui.

    (Os nomes, endereços, etc. reais foram modificados para preservar a identidade dessas pessoas)



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Cartas de Natal - 4

    Postado dia 26/12/2008 por Dagmar Rivieri Garroux às Nenhum comentário

    A aluna Daniela Pereira da Silva, 10 anos, é moradora de uma casa com seis pessoas cuja renda alcança entre um e dois salários mínimos. As condições são precárias, não oferece segurança alguma para a família. Os irmãos adoecem com freqüência, porque o córrego fica próximo à entrada do seu “barraco”. É uma menina meiga, atenciosa ao extremo. Cuida da casa com responsabilidade de adulto e quando precisa faltar nas nossas atividades, geralmente os motivos giram em torno dos cuidados com a família.

    É uma menina que veio conhecer a comemoração do seu aniversário, conosco aqui na Casa do Zezinho. Sua mãe é auxiliar de limpeza e seu padrasto não trabalha. O vício da bebida alcoólica sem limites, torna o convívio conturbado e sem paz.

    Está em fase acelerada de crescimento, então perde as roupas com facilidade. O que tem foi usado por alguém, já vem gasto e dura pouco. Desconhece presente “novo”. Atualmente lida melhor com sua imagem, mas no início rejeitava o espelho e qualquer ação que viesse colocá-la em evidência. Escondia-se das pessoas. Ser fotografada é um salto incalculável em sua trajetória até aqui, pois os conflitos com sua estima eram maiores.



    (Os nomes, endereços, etc. reais foram modificados para preservar a identidade dessas pessoas)


    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Cartas de Natal - 3

    Postado dia 23/12/2008 por Dagmar Rivieri Garroux às 3:15 Nenhum comentário

    Nossa pequena Gabriela Cabral dos Santos tem 10 anos, é bastante participativa e comunicativa. Tem pais admiráveis, envolvidos com a educação dos filhos. Sua vida como a da maioria dos Zezinhos, não  é de todo tranqüila... Convive com a falta de recursos materiais que garantam um sustento adequado e seguro. Mas, está em vantagem quando o assunto em questão é à participação de seus pais na educação dos filhos tanto na Casa do Zezinho, quanto na escola.

    Algumas histórias que temos acesso aqui, costumam carregar a marca da negligência dos seus genitores e do pouco envolvimento com as questões educacionais em seu todo. Tal fato, não nos leva a julgar estas famílias e sim a construção em equipe de caminhos possíveis de aproximação, propostas de intervenção e orientação de pais. O nosso foco de atuação é a criança/ jovem, mas nossos maiores aliados são às famílias, nos empenhamos em conquistá-las para garantir um convívio amistoso e transformador.

    O pai é vendedor ambulante e a mãe é costureira, porém sua renda mensal não alcança dois salários mínimos.

    É uma criança que a cada dia nos surpreende pela capacidade de sorrir, abraçar aos que estão a sua volta e aprender sempre. Ainda que com tantos desafios pela frente, mas com exemplo que veio do seu berço, de olhar atento e cativante, nossa “pequena e tão forte menina”, nos ensina sem saber o tanto!

    (Os nomes, endereços, etc. reais foram modificados para preservar a identidade dessas pessoas)



    Categoria: Dia-a-Dia de uma Educadora
  • Cartas de Natal - 2

    Postado dia 22/12/2008 por Dagmar Rivieri Garroux às 3:14 1 comentário